Revista Cães & Cia, n. 306, novembro de 2004
Alexandre Rossi comenta a importância de lidar corretamente com a agressividade e mostra como fazer isso
A agressividade está presente em praticamente todas as espécies animais. Por meio dela, o animal faz a defesa do seu território e dos ataques de predadores, protege os filhotes, disputa alimentos e caça. No convívio com o ser humano, a agressividade também pode aparecer. A causa, em geral, é a falta de habilidade na maneira de lidar com ela e não maus-tratos ou falta de carinho, como muitas pessoas costumam afirmar.
Controlar é importante
Existem diversas maneiras de lidar com animais. Em todas, devemos sempre buscar um relacionamento harmonioso e seguro. Saber lidar com comportamentos agressivos é essencial para que a relação entre o ser humano e o animal se desenvolva corretamente. E quando o animal é potencialmente perigoso, o domínio das técnicas passa a ser fundamental.
Não imitar os bichos
Muitas pessoas, inclusive especialistas, sugerem que, ao lidarmos com um determinado bicho, imitemos os comportamentos de outros indivíduos da espécie dele. No caso do cão, tais pessoas sugerem que, ao dar uma bronca, devemos emitir um ruído semelhante ao rosnado, olhar diretamente nos olhos do cão e, dependendo da situação, agarrá-lo pela nuca e dar uma sacudida, imitando a repreensão hierárquica canina.
Tais técnicas podem ser claras para o animal, já que são estímulos semelhantes aos que ocorreriam com ele se convivesse com outros animais da mesma espécie. Mas , quando nos comportarmos desse modo , é de esperar que a recíproca seja verdadeira - o animal se comportar conosco da mesma maneira que se comportaria com outro animal. Quem estuda matilhas sabe que um cão hierarquicamente inferior pode, um dia, desafiar o líder, havendo a possibilidade inclusive de matá-lo. É claro que não desejamos isso para nós. Portanto, não devemos agir exatamente da mesma maneira que os cães se não quisermos nos arriscar.
Para quem tem contato com diversas espécies fica claro que não é viável simplesmente imitarmos a reação dos animais. Mesmo porque, na maioria das vezes , levaremos desvantagens. Imagine-se rosnando e mordendo um cão grande, dando uma narigada num elefante, dando uma pescoçada numa girafa ou então dando uma cabeçada numa Orca. Se esses animais resolverem reagir da mesma maneira, a pessoa não terá muitas chances de sobreviver.
Usar a inteligência
Conhecer a maneira como os animais se relacionam e como expressam a agressividade pode ser bastante útil para não estimulá -la contra nós, um cuidado especialmente conveniente quando o animal é potencialmente perigoso.
Atitudes que estimulam a agressividade podem aumentar as possibilidades de agressões futuras. Tanto contra o dono como contra outra pessoa que não pareça tão forte ou tão dominante para o animal. Por isso, a melhor repreensão é a que menos estimula o comportamento hostil.
Cada vez que entrava na cozinha, um Rottweiler era repreendido de maneira agressiva pelo dono, que o segurava pelo cangote e o jogava para fora. O cão passou a responder também com agressividade. Quando me trouxeram o caso, sugeri que, em vez de agarrar o Rottweiler , fosse dito "não" e se deixasse cair uma biriba no chão, para assustar o cão sem estimular agressividade. A estratégia resolveu o problema com maior eficiência.
Tornar agradável a aproximaçãoO animal deve gostar da sua aproximação e não temê-la. Se ele o associar a coisas negativas, aumentarão as chances de um dia você ser atacado. Para a sua segurança aumentar, você precisa estar associado a coisas positivas como petiscos, companhia, brincadeiras, passeios, etc.
Fazer nossa força ser superestimadaBrincar é uma das maneiras de os animais testarem os oponentes sem se machucar. Quando brincamos com um animal , também poderemos estar sendo testados. Uma boa técnica é aproveitar tais situações para evidenciar a superioridade da nossa força.
Quando estive na Tailândia, trouxeram um chimpanzé que atacava sempre que contrariado. Orientei o tratador a mostrar com brincadeiras que ele era o mais forte. Isso alterou o comportamento do chimpanzé diante do tratador. Freqüentemente atendo cães dominantes que , após algumas brincadeiras, passam a me respeitar e não me atacam.
Resumo. Todo animal pode, dependendo das circunstâncias, apresentar comportamento agressivo
. É importante saber lidar corretamente com a agressividade
. Faça o animal associar você a eventos positivos
. Sempre que possível despersonalize as punições
. Faça o animal superestimar a sua força física
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