sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Coleiras de Choque

Revista Cães & Cia, n. 324, maio de 2006
Poucas ferramentas de adestramento são mais polêmicas do que as coleiras de choque. Neste artigo Rossi discute seu uso.
“Utilizar coleira de choque num animal é coisa para torturador...” É isso que muita gente pensa. Já houve usuários de tais equipamentos que ficaram conhecidos no bairro por “eletrocutar” seus cães. Diante de pressões desse tipo, parte das pessoas desiste de adotar coleiras de choque para educar os cães. Outra parte as usa apesar da imagem extremamente negativa. Muitos, ainda, gostariam de saber mais a respeito. Por isso, procuro esclarecer aqui as vantagens e desvantagens da coleira de choque e quais cuidados devem ser tomados em seu uso.
Nomenclatura e tamanhos
Várias empresas se especializam em produzir coleiras de choque. Atualmente são lançados dezenas de modelos desse acessório por ano. Na tentativa de atenuar a imagem negativa da coleira, os fabricantes procuram não chamá-la de coleira de choque, como é conhecida, e sim de coleira eletrônica, coleira de eletricidade estática, coleira de estímulo elétrico, etc. Diminuir o tamanho da coleira para ela ficar menos óbvia e chamar menos a atenção de outras pessoas é mais uma estratégia que começou a ser adotada, segundo Doug Grindstaff, responsável pelo marketing da maior empresa de coleiras eletrônicas.
O choque
Existem vários tipos de choque, desde os mais fracos que somente causam uma sensação estranha, um desconforto, até os que causam dor. São punições que funcionam quando aplicadas em cães. Existem vários fatores que regulam a “intensidade” e a periculosidade do choque. A solução caseira de conectar a fiação diretamente na tomada, sem ter conhecimento sobre eletricidade, pode produzir choque capaz até de matar. Já quando o choque é gerado por eletricidade estática, costuma ter voltagem alta e pouquíssima corrente elétrica, o que evita qualquer perigo. É o que acontece com as coleiras eletrônicas. São totalmente seguras, apesar de terem voltagem alta, porque usam corrente baixíssima. Modelos modernos permitem regulagens que aumentam e diminuem a intensidade dos choques. O menor nível é difícil de ser percebido, tanto por cães quanto humanos (é, eu testei em mim!). Já o nível maior causa um mal-estar terrível, apesar de também não haver perigo físico. Experimentei-o, dei um berro, um pulo para trás e não quis repetir a experiência!
Punição poderosa
Várias características tornam a coleira de choque uma “punição ideal”. Tanto por ser regulável, permitindo ajustar o choque de acordo com a sensibilidade do animal, como por poder puni-lo sem ser visto (coleira de controle remoto) e até sem estar presente (coleira antilatido). Quando a punição é dada no exato momento em que o cão pratica a ação indesejada, ele associa mais facilmente o mau comportamento a algo desagradável.
Ter critério
Punições aplicadas sem critério, por pessoas sádicas ou sem noção de psicologia ou de comportamento animal, podem provocar danos psicológicos irreparáveis nos animais, entre eles traumas e comportamentos compulsivos. Tudo isso com um simples aperto de botão de controle remoto!
Respeitar o animal
As coleiras de choque costumam ser tão eficientes que alguns proprietários as adotam para restringir diversos comportamentos do cão, sem se preocupar com as necessidades dele. Por exemplo, o cão que, por latir, conseguia atenção ou acesso à casa pode ficar esquecido no canil depois de uma coleira de choque ser posta nele.
Também há pessoas que, pela praticidade desse tipo de coleira, passam a adotá-la para tudo que desejam coibir o animal, optando por punir em situações em que seria possível ensiná-lo com recompensas e elogios. Na minha opinião, devemos procurar educar nossos animais com o máximo de reforços positivos e recompensas. Com o uso dessa técnica, os cães sentem mais prazer em obedecer. E os donos, por sua vez, treinam a si próprios para perceber melhor quando seus cães se comportam bem. Podem, assim, recompensá-los com mais eficiência. Ótimo para quem, além de querer ter um cão melhor, deseja também se tornar uma pessoa melhor!
Saber usar
Existem diversas “ferramentas” que podem nos ajudar a educar e a ensinar nossos cães. Na maioria das vezes, não é a ferramenta que é boa ou cruel e sim o modo de usá-la. Se uma coleira, por exemplo, pode servir para impedir o cachorro de sair de perto de você durante um passeio, pode também ser usada para enforcar o cão que fez algo indesejado, levando-o até mesmo a desmaiar, prática comum entre alguns grupos de esquimós.

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