sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Equipamentos essenciais para passear com o cão

Revista Cães & Cia, n. 319, dezembro de 2005
Neste artigo, Alexandre Rossi dá dicas sobre como escolher e usar equipamentos para conduzir o cão nos passeios
Muitos proprietários só percebem a importância da qualidade da guia e da coleira no momento em que algo nelas arrebenta. O pior é que o problema costuma acontecer quando o cão dá um tranco, em geral em situação de risco. Por exemplo, ao estar louco de vontade para atravessar uma avenida, sujeito, pois, a ser atropelado. Ou ao tentar avançar num transeunte ou cão, disposto a atacar e podendo ser atacado.
É um absurdo o pouco caso dado à segurança desses equipamentos por parte do governo e de algumas empresas que os produzem. Deveria ser obrigatório serem testados ou virem com garantia de qualidade. Os problemas são tão freqüentes que vários adestradores preferem só treinar usando seus próprios acessórios, testados e aprovados por eles.
Coleiras
A coleira mais usada é a de pescoço. O ideal é mantê-la o tempo todo no cão, para ser mais fácil agarrá-lo assim que for preciso e para mantê-lo sempre identificado, com maior chance de recuperá-lo caso fuja ou se perca.
O enforcador é uma coleira especial para caminhadas e treinos, útil para educar e para conter os cães, aumentando a segurança. Quanto mais o cão puxa, mais se sente "enforcado", até desistir por causa do desconforto. Deve-se ensiná-lo gradualmente, para não ser preciso "enforcá-lo" com freqüência exagerada, o que prejudica a respiração, além de poder causar irritação no pescoço e na traquéia. O diâmetro ideal, para o acessório não sair quando o cão abaixa a cabeça, é aquele que passa por ela com menor folga.
Uma coleira eficiente para o controle, sobretudo de cão grande e forte, é o cabresto. Lembra uma focinheira e permite ao cão abrir a boca e morder. Quando ele puxa a guia, a cabeça é forçada a virar para trás e a ação é interrompida. Com o cabresto, uma pessoa de apenas 40 quilos passeia facilmente com um cão pesado, como um São Bernardo ou Dogue Alemão. Mas o cão precisa ser habituado ao uso, caso contrário o incômodo poderá fazê-lo esfregar a peça por toda parte. Não se adaptam ao cabresto os cães de focinho muito curto, como os buldogues.
Outra coleira é a peitoral, excelente para o cão que precisa puxar algo, como um skate. Ela também facilita erguer rapidamente um cão pequeno, o que pode ser útil em passeios diante da ameaça de ataque de um cão de porte maior, por exemplo. Mas o condutor pode perder controle sobre o comportamento do cão se não conseguir refrear a motivação dele para puxar cada vez mais.
Guias
As melhores guias são aquelas mais resistentes, leves e "silenciosas". As de tecido e de couro podem preencher bem esses requisitos. São as menos percebidas pelo cão. Ele demora mais, portanto, para descobrir que está solto quando a guia escapa da nossa mão. Já a guia de metal faz ruído conforme é sacudida. Por outro lado, é a única que resiste aos cães "especialistas" em roer guias. Não se deve deixar, portanto, o cão roedor preso com guia de tecido ou de couro.
Uma qualidade desejada em qualquer guia é permitir o nosso controle total sobre o cão. Para tanto, é importante uma boa alça, que permita segurar bem, e a inexistência de algum redutor dos trancos dados com a guia. Esse redutor ocorre em guias elásticas, dessas que estão em moda, e em modelos com mola amortecedora. Se o cão não sentir o tranco "seco" dado pelo condutor, o respeitará cada vez menos e o puxará cada vez mais quando quiser seguir adiante com a sua própria velocidade e direção.
Testes de qualidade
Checar a integridade do equipamento é fundamental no momento da compra, bem como periodicamente, durante o uso. Se o material for de couro ou tecido, é preciso que não haja partes desgastadas ou com aparência alterada. Alguns tecidos, além do couro e do ferro, estragam se forem guardados úmidos. Para mantê-los em bom estado, devem ser colocados, após o uso, em lugar ventilado e seco. Convém renovar esse equipamento de tempos em tempos.
No momento da aquisição, o mais importante é observar a qualidade das emendas e do mosquetão (acessório na extremidade da guia, que permite prendê-la à coleira). São essas as partes que arrebentam com maior freqüência. Se a guia for de metal, é preciso checar cada um dos elos para ter certeza de que está em perfeitas condições.
Sempre que avalio uma coleira ou guia, começo com um detalhado exame visual. Em seguida, testo a resistência. Prendo o equipamento num lugar fixo e dou diversos trancos, até me sentir seguro de que não arrebentará em hipótese alguma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário