sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Verdades sobre o treinamento para a guarda

Revista Cães & Cia, n. 312, maio de 2005
Antes de treinar o seu cão para a guarda de propriedade ou pessoal, veja estas considerações de Alexandre Rossi
O desejo do proprietário
Quase todo mundo quer um cão que seja ao mesmo tempo de companhia – dócil e carinhoso com os familiares, amigos e convidados – e protetor; sempre pronto para reprimir agressivamente os ladrões. Melhor ainda se ele atacar sob comando.
O treino de defesa
Na busca por esse companheiro guardião, há quem treine o cão de casa para o ataque (ou defesa, como é mais conhecido esse adestramento hoje). O trabalho consiste em ensinar o cão a reagir agressivamente ao receber determinados comandos do proprietário ou quando houver uma pessoa se comportando de modo suspeito. Nas aulas, geralmente, o ladrão ou agressor é simulado por uma pessoa contratada, o “cobaia”. O treino consiste na reação agressiva do cão; ele precisa perseguir o alvo até abocanhá-lo e só soltá-lo quando receber ordem do proprietário.
O que ocorre com o cão treinado
Por melhores que sejam o cão, o proprietário e o treinador; quando se trata se comportamento e de aprendizado não há como esperar que funcionem como relógio suíço. O cão treinado para atacar pode confundir uma criança, brincando de esconde-esconde em um parque, com um “cobaia”, e atacá-la. Ou partir para o ataque por interpretar erroneamente um movimento ou uma palavra. Há a possibilidade, ainda, de não ser obedecido o comando de soltura. Tais acidentes não são apenas hipóteses. São comuns com cães treinados para defesa!
Treinar um cão para atacar não deve ser comparado à programação de uma função no computador, daquelas que geram sempre a mesma resposta quando ativadas. Condicionamentos precisam ser mantidos, revisados e corrigidos. E o controle deve ser maior ainda quando se lida com comportamentos perigosos.
Recomendações inadequadas de treino para ataque
Há quem receite o treinamento de ataque para corrigir o cão medroso. A alegação é que ele irá se tornar mais confiante e, com o tempo, mais corajoso. É verdade que com o treino muitos cães medrosos passam a atacar. Mas isso não quer dizer que deixam de ser medrosos. A maioria deles aprende a atacar por medo, e isso cria uma situação especialmente perigosa e de difícil controle. Existe também o mito de que, para obter controle total sobre um cão, é necessário ensiná-lo a atacar e a interromper o ataque sob comando. Acreditando nisso, alguns adestradores podem estimular o cliente a treinar o cão para o ataque mesmo quando o objetivo é apenas o melhor controle.
Cães costumam atacar mesmo sem treino
Muitos cães defendem o proprietário e a propriedade naturalmente, sem terem sido treinados. Nesses casos, é importante conseguir controlar e inibir a agressividade do animal para evitar acidentes. Esse controle é obtido por meio da repreensão do cão quando ele se mostrar agressivo diante de uma situação, a qual pode ser armada especialmente para isso.
Pense com cuidado antes de estimular a agressividade
O cão pode ser excelente defensor da propriedade e da nossa vida. Mas também pode machucar seriamente uma criança ou uma pessoa inocente e até matá-la. Por isso, pense com cautela ou discuta com um especialista em comportamento antes de estimular o seu cão a ser agressivo com seres humanos.
Para quem não desistiu da idéia de ter um cão treinado para ataque
É possível treinar um cão para latir e acuar um invasor sem mordê-lo. Esse condicionamento também tende a estimular a agressividade do cão, mas não é tão perigoso quanto o treino que permite ao cão morder pessoas.
Resumo
- O treinamento de defesa nunca é completamente seguro – precisa ser mantido, revisado e corrigido.
- O cão treinado pode errar na identificação da presa e se confundir com o comando dado pelo proprietário.
- Não é recomendado treinar para defesa um cão medroso.
- É um mito acreditar que alguém só terá controle sobre a agressividade do cão se o treinar para o ataque.
- A agressividade pode surgir mesmo sem treino. Controlá-la é importante para evitar acidentes.
- Cães podem machucar inocentes e até matá-los. Pense nisso antes de estimular a agressividade do seu cão.
- Treinar o cão a acuar um invasor sem mordê-lo é um procedimento menos perigoso.

Como lidar com o choro do filhote

Revista Cães & Cia, n. 311, abril de 2005
Filhote de cão é adorável, divertido e carinhoso. Costuma proporcionar ótimos momentos. Mas, infelizmente, nem tudo é alegria. Alguns dos comportamentos do cãozinho podem aborrecer e irritar os donos. É o caso do choro nas primeiras noites passadas em um novo lar, assunto abordado por Alexandre Rossi

Por que os filhotes choram?
O choro do filhote tem finalidade muito clara: chamar a atenção da mãe em momentos de estresse causados por motivos como solidão, fome ou frio. A mãe, por sua vez, procura confortar prontamente o filhote que chora.

O novo proprietário, ao levar o cãozinho para casa, o separa da mãe e dos irmãos, colocando-o num ambiente completamente diferente, com outros cheiros e barulhos. Para piorar, na hora de dormir, muitas vezes o filhote é deixado sozinho, isolado de todos na área de serviço ou num quartinho. É natural que se sinta inseguro e chore tentando chamar a mãe.

Atitude dos proprietários
Ao ouvir o choro, os novos donos costumam ir ver se está tudo bem. Depois, deixam o filhote sozinho e ele chora outra vez. A cena se repete, deixando os moradores da casa irritados. E o cãozinho leva bronca a cada visita do dono, que quer silêncio. Alguns proprietários passam grande parte da noite e da madrugada nessa situação, torcendo para não arrumar encrenca com os vizinhos por causa do barulho e nem levar multa do condomínio. Outros desistem das idas e vindas e levam o filhote para dormir no quarto ou acabam pegando no sono ao lado do cão, no local onde ele está.

Estímulo involuntário
Em todas essas situações, o filhote logo relaciona o estar se esgoelando com a chegada de alguém. E, mesmo levando bronca, se sente gratificado. De tão assustador que é para ele ficar sozinho, a presença da pessoa é um alívio. A bronca acaba, portanto, tendo resultado oposto ao esperado. E incentiva a chorar mais em vez de acabar com o choro.
Ao sentir-se recompensado, o filhote pode aprender o tipo e a intensidade de choro que resultam em mais visitas, passando a utilizá-los com maior freqüência, para infelicidade de donos e vizinhos.

Como lidar com o choro?
A recomendação clássica é oferecer ao filhote um cantinho o mais aconchegante possível. Coloca-se no local um pano com o cheiro da mãe e dos irmãozinhos (esfrega-se o pano neles quando se vai buscar o filhote), uma bolsa de água quente e algo que faça um barulhinho capaz de distrair, como um relógio ou um rádio em volume bem baixo. Sempre que o filhote for deixado nesse local, a regra é ignorar os ruídos que faz para chamar a atenção, não o recompensando com visitações. Dessa maneira, espera-se conseguir que o choro acabe em algumas noites.

Leve-o para dormir com você
O filhote poupado de situações demasiadamente estressantes tende a ser mais confiante e corajoso, ao contrário do que alguns imaginam. Além disso, o estresse forte pelo qual passa o cãozinho que se desespera por estar sozinho pode também prejudicar o sistema imunológico, resultando em maior facilidade de contaminação por doenças e parasitas.
Atualmente, a recomendação é não deixar que o filhote se sinta completamente abandonado no período inicial da grande mudança que lhe foi imposta. Assim, nas primeiras noites, podemos permitir que ele durma na companhia de alguém. Mas o cão não deve atribuir isso ao fato de ter se esgoelado, caso contrário se sentirá estimulado a esgoelar cada vez mais.
O procedimento é gradual. Quando, alguns dias depois da chegada à nova casa , o filhote estiver familiarizado com ela e com os novos cheiros e barulhos, é levado para dormir em seu espaço definitivo. Já ambientado, ele não estará mais tão inseguro. E, se reclamar quando deixado sozinho, poderemos ser mais firmes para conseguir silêncio. Uma técnica é usar uma lata cheia de moedas e sacudi-la sempre que o filhote iniciar os latidos ou o choro. As broncas devem ser rápidas e secas, para evitar que ele se sinta recompensado por latir ou chorar.

Como lidar com as mordidas de filhotes

Revista Cães & Cia, n. 310, março de 2005
Por Alexandre Rossi

Filhotinhos são engraçados, fofinhos e brincalhões, mas também são mordedores. É difícil achar alguém que tenha um filhote de cachorro e não esteja com a mão toda arranhada por causa dos ataques de dentes afiadíssimos. Raramente os filhotes mordem com a intenção de machucar. O que eles querem é interagir e cabe aos pais "humanos" ensinarem outras maneiras de melhorar o contato com eles.

O grande truque para solucionar qualquer problema de comportamento é, em primeiro lugar, entender o motivo que leva ao comportamento indesejado, pois não adianta tentar impedi-lo sem fornecer alternativas. O cãozinho precisa interagir, mastigar e aliviar seu desconforto e ansiedade. Ele sabe fazer isso com a boca e, por mais que sua bronca seja bem dada, o cão dificilmente irá respeitá-lo se não tiver maneiras de substituir ou redirecionar esses comportamentos.

E como podemos fazer isso? O primeiro passo é presentear o filhote com inúmeros brinquedos de diversos tamanhos, texturas, gostos e cheiros. Certifique-se de que há objetos disponíveis em todos os ambientes que o cão freqüenta, pois a ansiedade e a coceira podem aparecer a qualquer instante.

No entanto, é claro que a nossa mão é muito mais legal do que a maioria dos brinquedos, porque dificilmente o cãozinho não consegue nossa atenção quando morde nossa mão; ao passo que, ao morder seu ossinho sos-se-gado no seu cantinho, raramente faz com que tenhamos uma ação direta nele. É preciso mostrar que morder os brinquedos também é uma ótima forma de conseguir atenção. Quando seu filhote optar por morder um brinquedo, fale o nome dele, corra atrás e brinque com ele. Pare a interação assim que o pet soltar o objeto e volte a brincar assim que ele pegar o brinquedo novamente.

Um truque para ajudar a aliviar a aflição da coceira na gengiva é dar brinquedos congelados. Congele alguns objetos e dê ao seu cachorro: os cães costumam adorar e o gelado alivia mais rapidamente o desconforto da gengiva. Para que os brinquedos fiquem mais interessantes, eles devem nos representar - para isso, você também deve brincar com o objeto e, principalmente, deixar o seu cheiro nele (não é preciso esfregá-lo debaixo do braço! O olfato dos cães é muito melhor que o nosso).

Mesmo com todas essas dicas, sua mão provavelmente ainda vai continuar sendo o melhor brinquedo. Agora que o filhote tem diversas opções, devemos tornar nossa mão desagradável de ser mastigada. Para conseguirmos isso, podemos associar o morder a mão com algo desagradável, que aconteça, de preferência, no mesmo instante da mordida. Assim o cão vai testar a mão num momento e testar os brinquedos em outro momento. Com os objetos, vai conseguir tudo o que quer, inclusive atenção, e toda vez que morder a mão sentirá um desconforto imediatamente.

Uma das maneiras práticas e seguras de provocar um desconforto no cão, aproveitando que ele já está mordendo a sua mão, é apertar a língua dele contra o fundo da boca com o dedão. Esse apertão deve ser rápido e só deve acontecer quando o cão morder de fato e nunca como uma maneira preventiva. O apertão deve ser desagradável, mas não deve machucar o animal. Você saberá que o apertão está provocando desconforto observando a reação do filhote. Se você fizer de forma correta, após alguns apertões o cão vai parar de morder a sua mão. Ele provavelmente tentará novamente, mas, assim que sentir o apertão de novo, irá parar.

Procure sempre facilitar o comportamento correto do seu filhote. Ao encontrá-lo, leve algum brinquedo ou estimule-o a ir ao seu encontro com um brinquedo na boca. Como já dissemos anteriormente, é importantíssimo recompensar o comportamento correto e fornecer alternativas para o comportamento que queremos eliminar.

Westies em perigo

Revista Cães & Cia, n. 309, fevereiro de 2005
Como outras raçãs caninas que entraram em moda, o Westie com sua atuação no filme Tainá II, em cartaz desde janeiro, está sujeito a atrair compradores por impulso. Alexandre Rossi comenta os riscos dos modismos com relação a pets

Muito pouco conhecido no Brasil até 1999, o West Highland White Terrier (Westie) teve, a partir de 2000, sua imagem incorporada à logomarca da empresa IG e divulgada por grandes campanhas publicitárias. A intensa exposição atraiu o interesse de muita gente pela raça. Naquela época, foram vendidos mais de 60 mil "IG"s de pelúcia. Três meses depois do início da campanha o preço do Westie havia triplicado. Posteriormente, vários Westies foram doados ou abandonados por compradores arrependidos da aquisição.

A moda e os cães
O fenômeno nada teve de novo. Alguns eventos específicos, como filmes e propagandas, podem desencadear a entrada de uma raça em moda. Foi o caso do Dálmata após filmes da Disney, principalmente nos Estados Unidos.
Um estudo de 2004, baseado nos registros dos últimos 50 anos do American Kennel Club e publicado na Royal Society´s Biology Letters confirmou que as pessoas escolhem as raças de cães mais por moda do que por atender às suas necessidades e estilos de vida. Infelizmente, com a popularização repentina de uma raça surgem vários problemas para ela.

Incompatibilidade e abandono
Pessoas influenciadas pela moda adquirem cães incompatíveis com suas necessidades e seu estilo de vida. Por isso, muitos desses cães são doados ou abandonados após algum tempo. O problema fica ainda mais sério se a imagem do herói da telona não condiz com o temperamento real da raça. Quando os Dálmatas entraram em moda, muitas pessoas os adquiriram acreditando que eram ideais para crianças (a raça foi desenvolvida para acompanhar e guardar carruagens, sendo por isso bastante ativa e protetora).

Problemas genéticos
Com o aumento da demanda, alguns maus criadores reproduzem os cães disponíveis, inclusive aqueles com problemas genéticos de saúde ou temperamento, repassando-os para as próximas gerações.
Outros males genéticos podem surgir se, a partir de poucos indivíduos, for gerada uma grande população. Nesse caso, ocorre a combinação entre genes muito semelhantes (homozigose), o que permite a expressão de genes recessivos bem como o aparecimento de problemas imunológicos ligados à homozigose.

Tainá II e o perigo para os Westies
O filme infantil lançado em janeiro - Tainá II - no qual um dos personagens principais é Boris, um Westie, pode contribuir para o aumento da popularidade da raça no Brasil. Creio que o desejo de ter um Westie é despertado em muita gente que assiste o filme. Boris é uma espécie de herói que brinca com diversas crianças, interage amistosamente com dezenas de bichos, é inteligente e carinhoso.

O que pode ser feitoNão devemos ser contra a participação de cães ou de outros animais em filmes e propagandas, desde que sejam dignamente tratados nessas produções. Devemos, sim, ser contra a aquisição irresponsável de um animal de estimação, seja ele qual for.
Primeiramente, procure se conscientizar de que o herói da telona é um personagem e não representa necessariamente a verdade sobre a raça. No caso do Tainá II, Boris foi interpretado por três Westies alternadamente, sendo que dois deles eram fêmeas!
Vendo o filme você pode ser levado a pensar que os Westies se dão muito bem com os animais em geral, já que Boris aparece brincando com diversos deles. As cenas foram feitas com muito cuidado e treinamento, pois os Westies são cães caçadores e os "Boris" teriam atacado os bichos se não tivessem sido preparados para a filmagem e supervisionados.
Por isso, não compre um Boris de verdade por impulso! Se você realmente se interessar pelo Westie, estude a raça e veja se ela é compatível com o seu estilo de vida. Procure bons canis e lembre-se que a posse de um cão é uma responsabilidade que pode se prolongar por mais de 15 anos. Muitas vezes, o melhor mesmo é se contentar com um Boris de pelúcia!

Dicas para quem vai deixar o cão em hotel

Revista Cães & Cia, n. 308, janeiro de 2005
Alexandre Rossi orienta sobre como proporcionar boa adaptação do cão ao hotel para animais

Quando o cão fica em hotel para animais é separado de quase tudo que conhece. Isso pode causar nele um certo estresse. Existem diversos cuidados que ajudam a reduzir o desgaste e aumentam as chances de uma estadia mais tranqüila fora de casa.

Reforço imunológico
O estresse provocado pela mudança de ambiente pode causar baixa no sistema imunológico do cão e deixá-lo mais suscetível a parasitas e doenças. É importante verificar se a aplicação de vacina e de vermífugo está em dia e se ele está isento de parasitas externos, como pulgas e carrapatos. Caso seja preciso vacinar o cão, providencie para que isso seja feito algumas semanas antes de ele ir para o hotel (informe-se com um médico veterinário). Desse modo, o sistema imunológico do cão não estará sobrecarregado durante a estadia fora de casa.

Adaptação a novo alimento
Os cães se adaptam à ração que consomem, tanto no aspecto enzimático quanto no microbiológico. Ao ser oferecida uma ração diferente, o organismo precisa se readaptar. Embora a tarefa seja tranqüila, é conveniente evitar que ocorra juntamente com o estresse causado por estar em local diferente. Portanto, quando faltarem uns quatro dias para o cão ir para o hotel, comece a dar a ele a ração que será servida lá.

Estímulo ao paladar
Se o cão não tem grande apetite e deixa de comer quando está ansioso, procure aumentar a motivação dele nesse aspecto. Alguns dias antes de levá-lo ao hotel, comece a servir um alimento mais palatável. Por exemplo, acrescente um pouco de ração úmida em lata à ração seca. Se der certo, peça ao hotel para manter a estratégia.

Cão habituado a comer perto do proprietário
Muitos proprietários dão comida na boca do cão. Outros ficam por perto enquanto ele come. Costumes como esses fazem o cão aprender que, ao recusar comida, pode receber atenção adicional dos proprietários. Se o seu cão estiver nesse grupo, quando ele se sentir carente no hotel, poderá optar por não se alimentar na ilusão de que você apareça. Para evitar o problema, antes de ele ir para o hotel, acostume-o a comer independentemente da sua presença e da dos demais familiares.

Cão que nunca se afasta do donoSe você for do tipo que não se distancia do cão - há quem não se separe nem quando vai ao banheiro -, prepare-se para reduzir o estresse dele quando ele tiver de ficar sozinho no hotel. Impeça-o, aos poucos, de seguir você o tempo todo.
Tente também aumentar a autoconfiança do cão. Leve-o para passear com guia longa, deixando-o explorar o ambiente livremente, sem chamá-lo de volta a cada 30 segundos! Faça-o ter momentos de prazer na sua ausência. Por exemplo, providencie para que ele saia para passear com um passeador de cães ou para treinar com um adestrador!

A bagagemEnvie ao hotel um pano com o seu cheiro (uma camiseta sua usada, por exemplo) e os brinquedos preferidos do cão, quando ele for para lá. Cheiros e objetos conhecidos ajudam a tranqüilizar o cão. É comum, nos primeiros dias, o cão dormir em cima de um pano com odor do dono até se adaptar melhor ao novo local.

AntidepressivosExercícios físicos e suplementação alimentar com triptofano (precursor da serotonina) são antidepressivos naturais, que podem ajudar a evitar a depressão nos cães. Recomenda-se começar a suplementação e o exercício físico pelo menos sete dias antes do envio do cão ao hotel, para os efeitos antidepressivos já estarem acontecendo quando ele chegar lá. Tanto a suplementação quanto o exercício devem continuar a acontecer durante, pelo menos, os primeiros dias de hospedagem.

Evitar troca de hotelSe possível, procure hospedar o cão sempre no mesmo hotel. Assim, a adaptação dele será cada vez mais rápida. Alguns cães se mostram felizes quando chegam ao hotel e reencontram pessoas que conhecem.

Sem culpaCães que convivem conosco aprendem a perceber as nossas emoções. Se você ficar apreensivo ou triste antes de enviar o cão ao hotel, poderá aumentar a ansiedade dele (nem sempre o cão entende por que o dono fica ansioso). Aja com naturalidade na partida do cão quando ele estiver indo para o hotel e durante a volta dele para casa.

Resumo. Ao trocar a ração oferecida em casa pela do hotel, faça-o pelo menos quatro dias antes da viagem
. Confira se a aplicação das vacinas e do vermífugo está em dia
. Não deixe o cão seguir você e seus familiares dentro de casa o tempo todo
. Envie ao hotel um pano com o seu cheiro e os brinquedos preferidos do cão
. Exercícios e suplementação alimentar ajudam a combater a depressão
. Evite trocas desnecessárias de hotel
. Controle a ansiedade na despedida do cão.

Como evitar disputas entre cães

Revista Cães & Cia, n. 307, dezembro de 2004
Animais sociais, os cães estão preparados para viver em grupo, tanto de cães como de humanos. Mas em toda convivência há sempre a possibilidade de conflitos. Alexandre Rossi explica como lidar com essas situações quando dois ou mais cães compartilham o mesmo larMuitas pessoas que convivem com dois ou mais cães procuram tratá-los igualmente para não cometerem injustiças. Se querem agradar um deles, para não deixar os demais ressentidos, procuram agir igualmente com todos, ao mesmo tempo.
Esse costume, porém, pode causar brigas. Atender simultaneamente vários cães ignora a escala de poder estabelecida por eles. É preciso respeitar essa hierarquia para não provocar conflitos desnecessários.

Como respeitar a hierarquia
Procure sempre privilegiar o cão que está na posição mais alta da hierarquia. Ofereça primeiramente a ele os petiscos, os brinquedos e a comida, e só depois aos demais.
Geralmente, o cão líder é o mais facilmente identificável. Parece querer controlar tudo, o tempo todo, e costuma ser observado e respeitado pelos demais. O cão em posição hierarquicamente inferior dá sinal de sua submissão com atitudes como colocar a cauda entre as pernas, pôr a ponta da língua para fora ou lamber a boca do cão dominante.
É mais difícil respeitar a hierarquia quando se tem mais de dois cães. Um exemplar que não é o mais dominante pode ficar em posições diferentes, conforme a ocasião. Se receber apoio do dono ou de um cão mais dominante, por exemplo, subirá de posição. Mas, quando a situação acabar, poderá ser confrontado pelos cães que se sentiram prejudicados.
A estratégia de dar prioridade ao líder exige que estejamos atentos a alguns desafios. Por exemplo, ao chegar em casa, se o nosso cão predileto não for o dominante, não deve ser o primeiro a receber atenção. Caso contrário, há o risco de ele resolver aproveitar a oportunidade para tentar mostrar liderança sobre os demais e começar uma briga.

Evite disputas por alimento e objetos
Ao perceber que determinado objeto ou alimento causa briga entre os cães, evite usá-lo. Ou, então, só o ofereça quando os cães estiverem separados. O mais prudente é servir a comida isoladamente ou sob supervisão humana, para evitar conflitos desnecessários.

Não dê bola a pequenos desafios
Dar atenção a cães que se desafiam em pequenas brigas pode torná-las mais freqüentes só para chamar a nossa atenção. Interferir nessas disputas tão comuns também pode atrapalhar a definição da liderança e resultar em mais brigas posteriormente.

Castração pode ajudar
Brigas ocorrem mais entre cães do mesmo sexo. A castração pode ajudar a reduzir esses conflitos, tanto entre machos como entre fêmeas (elas tendem a ficar mais agressivas no cio).

Convívio constanteSó separe os cães se houver necessidade. Quando eles ficam sem contato por algum tempo e depois voltam a estar juntos, podem se mostrar mais dominantes em relação ao território e aos objetos disponíveis. O resultado provável é haver brigas mais sérias. Se possível, mantenha o convívio entre os cães, mesmo depois de pequenos conflitos entre eles.

Exerça forte liderançaA maior parte das brigas ocorre quando o proprietário chega em casa e interage com os cães. Para evitá-las, é preciso demonstrar forte liderança e não permitir provocações e rosnados que possam evoluir para briga.

Lidando com momentos críticosExistem situações que favorecem o começo de brigas. Por exemplo, voltar de um passeio feito com somente um dos cães, que não seja o dominante do grupo.Nesse momento, para os cães não ficarem se cheirando ou se confrontando, deve-se criar um foco diferente de atenção. Por exemplo, ao chegarem ofereça um petisco ao cão dominante e, em seguida, aos demais. Assim, todos prestarão atenção em você, em vez de um tentar controlar o outro.

Resumo. Privilegie o cão mais dominante servindo-o primeiro.
. Respeite a hierarquia natural
. A castração normalmente reduz brigas entre indivíduos do mesmo sexo
. Evite separar os cães desnecessariamente
. Mostre que você realmente manda
. Desvie a atenção de um cão com relação a outro para evitar conflitos
. Não recompense com atenção as pequenas disputas

Lidando com o cão potencialmente perigoso

Revista Cães & Cia, n. 306, novembro de 2004
Alexandre Rossi comenta a importância de lidar corretamente com a agressividade e mostra como fazer isso
A agressividade está presente em praticamente todas as espécies animais. Por meio dela, o animal faz a defesa do seu território e dos ataques de predadores, protege os filhotes, disputa alimentos e caça. No convívio com o ser humano, a agressividade também pode aparecer. A causa, em geral, é a falta de habilidade na maneira de lidar com ela e não maus-tratos ou falta de carinho, como muitas pessoas costumam afirmar.

Controlar é importante
Existem diversas maneiras de lidar com animais. Em todas, devemos sempre buscar um relacionamento harmonioso e seguro. Saber lidar com comportamentos agressivos é essencial para que a relação entre o ser humano e o animal se desenvolva corretamente. E quando o animal é potencialmente perigoso, o domínio das técnicas passa a ser fundamental.

Não imitar os bichos
Muitas pessoas, inclusive especialistas, sugerem que, ao lidarmos com um determinado bicho, imitemos os comportamentos de outros indivíduos da espécie dele. No caso do cão, tais pessoas sugerem que, ao dar uma bronca, devemos emitir um ruído semelhante ao rosnado, olhar diretamente nos olhos do cão e, dependendo da situação, agarrá-lo pela nuca e dar uma sacudida, imitando a repreensão hierárquica canina.
Tais técnicas podem ser claras para o animal, já que são estímulos semelhantes aos que ocorreriam com ele se convivesse com outros animais da mesma espécie. Mas , quando nos comportarmos desse modo , é de esperar que a recíproca seja verdadeira - o animal se comportar conosco da mesma maneira que se comportaria com outro animal. Quem estuda matilhas sabe que um cão hierarquicamente inferior pode, um dia, desafiar o líder, havendo a possibilidade inclusive de matá-lo. É claro que não desejamos isso para nós. Portanto, não devemos agir exatamente da mesma maneira que os cães se não quisermos nos arriscar.
Para quem tem contato com diversas espécies fica claro que não é viável simplesmente imitarmos a reação dos animais. Mesmo porque, na maioria das vezes , levaremos desvantagens. Imagine-se rosnando e mordendo um cão grande, dando uma narigada num elefante, dando uma pescoçada numa girafa ou então dando uma cabeçada numa Orca. Se esses animais resolverem reagir da mesma maneira, a pessoa não terá muitas chances de sobreviver.

Usar a inteligência
Conhecer a maneira como os animais se relacionam e como expressam a agressividade pode ser bastante útil para não estimulá -la contra nós, um cuidado especialmente conveniente quando o animal é potencialmente perigoso.
Atitudes que estimulam a agressividade podem aumentar as possibilidades de agressões futuras. Tanto contra o dono como contra outra pessoa que não pareça tão forte ou tão dominante para o animal. Por isso, a melhor repreensão é a que menos estimula o comportamento hostil.
Cada vez que entrava na cozinha, um Rottweiler era repreendido de maneira agressiva pelo dono, que o segurava pelo cangote e o jogava para fora. O cão passou a responder também com agressividade. Quando me trouxeram o caso, sugeri que, em vez de agarrar o Rottweiler , fosse dito "não" e se deixasse cair uma biriba no chão, para assustar o cão sem estimular agressividade. A estratégia resolveu o problema com maior eficiência.

Tornar agradável a aproximação
O animal deve gostar da sua aproximação e não temê-la. Se ele o associar a coisas negativas, aumentarão as chances de um dia você ser atacado. Para a sua segurança aumentar, você precisa estar associado a coisas positivas como petiscos, companhia, brincadeiras, passeios, etc.

Fazer nossa força ser superestimadaBrincar é uma das maneiras de os animais testarem os oponentes sem se machucar. Quando brincamos com um animal , também poderemos estar sendo testados. Uma boa técnica é aproveitar tais situações para evidenciar a superioridade da nossa força.
Quando estive na Tailândia, trouxeram um chimpanzé que atacava sempre que contrariado. Orientei o tratador a mostrar com brincadeiras que ele era o mais forte. Isso alterou o comportamento do chimpanzé diante do tratador. Freqüentemente atendo cães dominantes que , após algumas brincadeiras, passam a me respeitar e não me atacam.

Resumo. Todo animal pode, dependendo das circunstâncias, apresentar comportamento agressivo
. É importante saber lidar corretamente com a agressividade
. Faça o animal associar você a eventos positivos
. Sempre que possível despersonalize as punições
. Faça o animal superestimar a sua força física

Como lidar com o cão hiperativo

Revista Cães & Cia, n. 305, outubro de 2004
Cães hiperativos. Quem tem sabe o trabalho que um cão hiperativo pode dar. Alguns cães se comportam de maneira agitada grande parte do tempo, dificultando bastante o convívio normal ou desejado para um animal de companhia. Por que isso ocorre e o que pode ser feito é o que Alexandre Rossi explica nesta coluna
Como identificar um cão hiperativo
Cada cão possui um determinado nível de atividade que pode variar bastante de raça para raça e de indivíduo para indivíduo. Não existe uma linha divisória clara entre cães normais e cães hiperativos, portanto alguns cães podem ser considerados normais por alguns especialistas e hiperativos por outros.
Os cães claramente hiperativos exibem continuamente um comportamento acelerado, tornando o convívio um tanto quanto difícil. Muitas vezes os proprietários se sentem sufocados pelo fato de o animal não parar quieto ou não parar de querer chamar a atenção buscando objetos, destruindo móveis, choramingando e latindo. Infelizmente tais cães costumam acabar trancados dentro de um canil ou separados fisicamente do convívio familiar, solução um tanto quanto cruel.

A hiperatividade pode começar cedo
Um cão já pode demonstrar hiperatividade nos primeiros meses de vida. Sem querer, muitas pessoas acabam escolhendo o filhote hiperativo, pois é esse que geralmente vai correndo e fazendo festa para cada visita que aparece. Muitas pessoas dizem que elas é que foram escolhidas pelo filhote, geralmente se referindo a esse comportamento - "Ele me escolheu! Veio correndo na minha direção e não parou de me lamber e nem de abanar o rabo!!"

Esperanças frustradas
É comum que proprietários de um cão hiperativo acreditem que ele seja agitado por ser ainda jovem e que vai se acalmar, mas com o tempo percebem que continua do mesmo jeito apesar de já ter se tornado adulto.
Principalmente no caso de cães machos, existe um mito de que o cão precisa cruzar para se acalmar. Tal informação não procede, e isso é confirmado por pesquisas científicas. Portanto não perca tempo procurando um parceiro sexual para seu animal com essa finalidade.

Seleção genética
Muitas raças que existem hoje foram selecionadas para o trabalho. Cães sempre dispostos a executar atividade física, incansáveis e hiperativos, eram, freqüentemente, selecionados. Isso resultou em cães ótimos para o trabalho, mas ativos demais para a função exclusiva de companhia.

Alergia alimentar
Alguns cães podem ter um excesso energético devido a alergias alimentares. O diagnóstico é feito através de alterações alimentares utilizando dietas hipoalergênicas, comerciais ou caseiras, por cerca de dois meses.

Distúrbio de Déficit de Atenção e Hiperatividade
Cães com distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade costumam ter dificuldade de se concentrar apenas em um estímulo, dando a impressão de estar prestando atenção em tudo ao mesmo tempo. De maneira semelhante ao que ocorre com crianças com o mesmo diagnóstico, o tratamento pode ser feito com anfetaminas, que, nesses casos, em vez de aumentar a atividade, como seria o esperado em um indivíduo que não sorfra desse mal, tende a reduzi-la a níveis normais.

Outras causas
O hipertiroidismo e o aumento dos níveis de estrógeno também podem ser as causas de hiperatividade. Exames de sangue podem ser úteis para o diagnóstico do problema.

O que fazer
Evite escolher o filhote mais agitado da ninhada, pois o filhote pode já estar demonstrando um comportamento hiperativo. Além de observar os filhotes, experimente fazer um carinho relaxante (massagear calmamente o animal enquanto fala com ele) e observar seu comportamento. Alguns poderão relaxar e curtir o carinho, enquanto que outros podem ficar cada vez mais excitados. Os que ficarem mais agitados têm uma maior chance de ser hiperativos.

Controle é essencial
Cães bastante ativos precisam ser muito bem educados, já que podem, em pouco tempo, destruir objetos da casa, incomodar as visitas, etc. Se o cão não o respeitar, procure auxílio de um adestrador.

Bastante atividade físicaCães com pouca atividade física podem demonstrar agitação e inquietação, por isso procure levar seu cão para fazer exercícios através de caminhadas e brincadeiras.

Permita comportamentos que dão vazão à ansiedade dele
Alguns cães aprendem a controlar a ansiedade por meio de alguns comportamentos, como o de mastigar algum objeto enquanto recebem carinho. Esses animais, assim que avistam alguém, procuram imediatamente um brinquedo para ficar mordendo. Essa pode ser uma solução saudável encontrada por eles mesmos para uma ansiedade excessiva.

Como conduzir o cão sem ser levado por ele

Revista Cães & Cia, n. 304, setembro de 2004
O cão que puxa a guia torna o passeio menos agradável e fica mais desobediente e agressivo. Alexandre Rossi ensina como agir para assumir o comando efetivo durante as caminhadas
Não importa qual seja o motivo de o cão puxar a guia, esse comportamento não deve ser permitido. Quem precisa estar no comando é o condutor. Ao cão cabe andar ao lado da pessoa, mantendo a guia sempre frouxa.

Tranco
Quando o cão puxar a guia, bastará dar um pequeno tranco para ele se aproximar, afrouxando-a. Mesmo porque, se ele continuar puxando, em vez de se submeter, se sentirá enforcado.
Nos treinos, leve petiscos e recompense esporadicamente o cão em momentos nos quais ele estiver acompanhando você corretamente, ou seja, com a guia bem frouxa. De vez em quando, nesses momentos, você pode interromper a caminhada e proporcionar uma interação agradável, falando o nome dele com alegria e acariciando-o.
Não estique desnecessariamente a guia quando vocês estiverem parados, nem enquanto caminharem. Enforcar o cão sem motivo pode causar uma associação indesejada de passeio com sensação incômoda.

Liderança e ansiedade
É normal o cão dominante procurar impor um ritmo e uma direção às caminhadas. Mas, se isso for permitido, ele se sentirá confirmado na posição de líder e deixará de obedecer. E, se for forçado a fazer algo, poderá reagir com agressividade.
Outra motivação para o cão tentar tracionar o condutor é a ansiedade para chegar logo à rua. Ou, estando lá, querer aproximar-se de uma árvore ou de um poste para cheirar, por exemplo. Se o condutor acelerar o passo ou redirecionar o trajeto quando a guia é puxada, o cão aprende que vale a pena a tração - exatamente o oposto do que queremos!
O estado de agitação que toma conta de alguns cães quando saem para passear (se estivessem soltos, correriam de um lado para outro ou andariam bem depressa) é mais uma causa de puxões na guia. Nesse caso, como o cão ansioso fica menos sensível a trancos, será preciso ser mais rígido, de início, para mantê-lo sob controle.

Treino
Desde o momento em que colocamos a guia no cão, devemos conter a ansiedade dele, sem jamais permitir puxões. Inicialmente, treina-se o cão a mudar de direção junto com o condutor. Uma boa técnica é fazer percursos em ziguezague. A percepção do cão da importância de prestar atenção nos movimentos do condutor, para acompanhá-lo, aumenta à medida que ele percebe que ao puxar a guia, leva um tranco. Para favorecer a concentração nos treinos, escolha um lugar não tão excitante, como uma garagem de prédio.
Quando o cão conseguir acompanhar você sem precisar de trancos, premie-o com petisco. Com poucos treinos ele estará apto a andar direitinho ao seu lado. Só aí o leve para a rua ou para outro local mais estimulante.

Se for briguentoO cão deixa de perceber trancos de guia quando late excitado. Quem tem cão briguento deve interromper desde o início as manifestações de agressividade com uma punição que não o machuque. Um recurso é espirrar um jato de substância amarga não tóxica na boca dele (como os importados bitter aple ou bitter lime ). Outro método é assustar o cão sacudindo uma lata cheia de moedas ou estalando uma biribinha. Nos casos mais difíceis, pode-se lançar um jato de gás carbônico (CO 2) usando um extintor de incêndio. Encontrada a punição ideal, o comportamento indesejado deixará de ser repetido depois de algumas ocorrências.

Resumo. Ande em ziguezague, fazendo com que o cão tome um tranco na coleira se não segui-lo.
. Seja mais rígido no início do passeio, pois o cão estará mais ansioso e, portanto, menos sensível aos trancos.
. Procure controlar o cão fazendo exercícios em lugar não tão excitante para ele. Só quando ele se comportar muito bem, comece a ir para outro local.
. Recompense-o com brincadeiras e petiscos sempre que ele estiver andando com a guia completamente frouxa.
. Ao fazer paradas durante a caminhada, mantenha a guia frouxa. Se o cão puxar, dê um tranquinho.

Lidando com o estresse do cão

Revista Cães & Cia, n. 303, agosto de 2004
Alexandre Rossi orienta sobre a importância de identificar quando o cão está com estresse e de poupá-lo da tensão contínua
Não é só o ser humano que pode ficar estressado e se prejudicar com isso. Os cães também se estressam. Muitas vezes, acontecimentos na casa ou na vida do cão, aos quais as pessoas não costumam dar importância, podem ser considerados por ele como ameaças ou desafios e afetá-lo gravemente.
Ficar sozinho é um desses casos, já que a espécie é social e precisa estar em companhia para se proteger e caçar. O estresse pode vir também de fatos como estar na presença de visitas, tomar banho, ser vestido com uma roupinha, ouvir barulhos, ainda que comuns para nós, ou estar diante de uma situação nova, como a chegada de um bebê humano.

Quando o estresse é prejudicial
Passar por momentos de estresse é normal. Se não houver exagero, o estresse até ajuda a preparar o organismo para lidar com situações perigosas ou aversivas. Nesses casos, a energia consumida supera a armazenada.
O coração fica acelerado, a freqüência respiratória aumenta, as pupilas dilatam e há a liberação de hormônios, como adrenalina e cortisol, na corrente sanguínea, promovendo alterações fisiológicas e comportamentais.
Nenhum organismo está preparado para viver em permanente estado de estresse.
Se isso acontecer, a tendência é o cão apresentar sintomas como parar de se alimentar, não querer brincar, ter comportamentos repetitivos, como lamber a pata até feri-la, e comportamentos compulsivos, como correr atrás da cauda e latir sem parar.

O teste do petiscos
Por meio de mudanças nas atitudes do cão, é possível detectar o que o deixa estressado. Assim, pode-se evitar que ele sofra desnecessariamente. É possível averiguar se o cão está com estresse em determinado momento oferecendo um petisco e observando como reage. Por exemplo, se ele estiver tomando banho e aceitar a guloseima é porque não está estressado. Se a recusar, é provável que esteja estressado.
Pode-se também medir a velocidade de recuperação do cão às situações estressantes. Basta ver quando ele começa a aceitar comida de novo ou a brincar, sinal que o estresse foi superado. Alguns cães demoram para se recuperar, outros se recuperam quase instantaneamente.

Exame de sangue
Em casos mais complicados, a presença de estresse pode ser verificada por meio de um exame que mede o grau de cortisol no sangue, o hormônio do estresse. Quanto maior a sua concentração, mais estressado o cão está.

Tratamentos
Por meio de terapia comportamental, o cão pode aprender a tolerar com naturalidade situações muito estressantes para ele, como ficar em casa sozinho, ouvir barulhos de fogos, ir passear no parque com outras pessoas e animais, etc. Cães mais sensíveis devem ter um tratamento mais cuidadoso do que os mais corajosos, diante das mesmas situações.
Há ocasiões em que o tratamento comportamental pode ser complementado por um tratamento medicamentoso, com ansiolíticos ou antidepressivos. Ao se tratar a ansiedade e o medo do cão, problemas de alergia também diminuem, mostrando que estavam correlacionados com o estado emotivo.

Resumo
. Cães também podem ficar estressados em situações comuns ou do cotidiano.
. O estresse, quando sob controle, ajuda o organismo a lidar com situações aversivas.
. Os principais sintomas do estresse são: taquicardia, respiração ofegante, dilatação das pupilas, aumento de determinados hormônios (adrenalina e cortisol) na corrente sanguínea.
. O estresse crônico pode debilitar o organismo e facilitar a manifestação de alergias e doenças.
. Existem drogas psicoativas que podem ajudar no controle do estresse.
. Dessensibilização, como terapia comportamental, pode ser útil para evitar o estresse.

Como convencer o cão a devolver a bola que você arremessou

Revista Cães & Cia, n. 302, julho de 2004
Você joga uma bolinha, o cão a pega e traz, mas se recusa a soltá-la? Alexandre Rossi ensina como conseguir a devolução e, finalmente, curtir a brincadeira por completo!
Quem nunca jogou uma bolinha para o cão trazer de volta? Essa talvez seja a mais famosa brincadeira dos donos com seus cães. Mas ver a bola devolvida para que possa ser jogada de novo é uma cena mais imaginária que real. O comum é o cão abocanhar a bola, se aproximar do dono e não soltá-la. Ou soltá-la e agarrá-la antes que o dono a consiga recuperá-la.
Diante desse quadro, o dono muitas vezes adota a estratégia de agir disfarçadamente. Finge desinteresse e, de repente, faz a tentativa de pegar a bola. Em vão. Centésimos de segundo antes, o cão escapa com ela na boca, dá um olé, e o dono fica com cara de bobo.
Quando finalmente a bola é alcançada, o cão não a solta de jeito nenhum e o dono desiste de brincar. Por que isso ocorre? Será que os cães não conseguem entender a lógica da brincadeira?

O problema
Jogar bolinha é uma prática pela qual buscamos uma interação agradável com o cão. Por isso, para nós pode ser decepcionante vê-lo apoderar-se da bola, não entregá-la e, ainda por cima, cada vez que tentamos tirá-la dele, ter de fazer "cabo de guerra".
Disputar a bola em vez de soltá-la é uma predisposição canina herdada. É assim que o ancestral lobo age para repartir a caça em diversos pedaços. E tem mais. Desfilar com um objeto desejado por outro membro do grupo é uma demonstração de poder. Por isso, continuar com a bola enquanto o dono se desdobra para resgatá-la é motivo de enorme prazer para o cão.

A solução
É perfeitamente possível convencer o cão a devolver a bola. Para tanto, aja de acordo com o ponto de vista dele. Arremesse a bolinha "com gosto", em velocidade, mas de maneira que o cão consiga persegui-la e capturá-la. Observe se ele gosta mais de bolas rasteiras ou de pular e capturar a "presa" no ar, e passe a arremessar do jeito que ele prefere.
Quando o cão estiver com a bola na boca, chame-o pelo nome para vir até você. Se ele não vier, emudeça e ignore-o. Se vier, festeje-o e não demonstre muito interesse pela bola. Repita a técnica de festejar o cão sempre que ele trouxer a bola atendendo a um chamado seu.
A etapa seguinte é pegar o cão de surpresa e tentar recuperar a bola antes de haver qualquer disputa. Para tanto, depois de ele chegar com a bola e de ter sido festejado, pare com a festa e ignore-o. De repente, quando ele menos esperar, com um movimento rápido puxe a bolinha da boca dele. Se o cão a soltar, pegue-a e dê parabéns, fazendo muita festa. Se não a soltar, e você concluir que não será possível obter sucesso com esse método, tente uma nova estratégia: vencer o cão pela gula.

O truque
Obter a cooperação do cão fica mais fácil com a ajuda de petisco. Mostre a guloseima quando ele estiver voltando com a bolinha. Ele abrirá a boca e você fará a troca do petisco pela bola. Encare a recompensa como um preço pago para conseguir que o cão brinque do jeito que você gosta!
Se, por ver a guloseima na sua mão, o cão deixar de buscar a bolinha, esconda-a no bolso. Nesse caso, só a tire de lá quando ele voltar trazendo a bola. Em pouco tempo, o cão aprenderá que, ao soltá-la, pode ganhar recompensa. E, mesmo vendo o petisco antes de a bola ser arremessada, passará a buscá-la e a trazê-la.

Resumo
. A maioria dos cães não devolve prontamente a bolinha que foi buscar.
. Evite correr atrás do cão quando ele estiver com a bolinha na boca, para não reforçar o comportamento.
. Não tente arrancar a bolinha da boca do cão, pois ele vai gostar muito mais de brincar de cabo-de-guerra do que de devolvê-la.
. Recompense o cão com petiscos por ter devolvido a bolinha para você.
. Assim que o cão voltar e quando soltar a bolinha, elogie-o bastante

O que molda o comportamento dos cães

s Revista Cães e Cia, n. 327, agosto de 2006
Diversos fatores podem influenciar o modo como um cão age. Saiba quais são
Raça ou criação?
A pergunta que mais ouço é: o que determina o comportamento de um cão? A raça ou o modo de criá-lo? A resposta quase sempre frustra porque não é simples. As pessoas gostariam que ela fosse simples e, de preferência, que confirmasse o que pensam. Mas a tentativa de simplificá-la demais pode resultar em preconceitos relacionados com o comportamento das pessoas ou das raças de cães.
Temperamento
Podemos dizer que o temperamento reflete a maneira como o cão sente as coisas. Reações como medo, curiosidade e agressividade diante de um estranho são influenciadas pelo temperamento. Um cão medroso, por exemplo, tenderá a se encolher diante de situações novas ou que considere perigosas. A partir de uma pequena diferença de temperamento, podem ser desenvolvidos comportamentos completamente distintos.
Entre dois cães que têm medo de outros cães, um poderá ficar mais medroso se nunca interagir com exemplares da espécie e o outro poderá, aos poucos, perder a fobia caso passe por experiências positivas. Da mesma forma, se dois cães ficarem atrás de um portão em ocasiões diferentes, o mais agressivo poderá se sentir provocado pelos passantes que se assustam ao vê-lo, enquanto o mais dócil poderá receber carinho dessas pessoas. Com o tempo, as diferenças entre os dois ficarão mais evidentes. Um se tornará bem agressivo e o outro, bastante dócil.
Tipos de temperamento
O maior estudo que conheço sobre a classificação de cães por tipos de temperamento levou em consideração mais de 15.000 exemplares. Foram determinadas as seguintes classes: brincalhões, curiosos ou medrosos, interessados em perseguir coisas, sociáveis e agressivos.
De acordo com as classes de temperamento nas quais um cão se enquadra, é possível saber como ele se comportará diante de estímulos. Por exemplo, um cão brincalhão e medroso brincará quando estiver em lugar conhecido, mas ficará acuado em ambiente desconhecido.
Efeitos da raça
Na média, cães de raças diferentes podem ter comportamentos distintos. Muitos mais Labradores correm atrás de bolinhas do que Akitas. Por quê? Porque, na média, correr atrás de objetos é mais típico do temperamento dos Labradores. Goldens Retrievers costumam ser mais sociáveis com estranhos do que Rottweilers. Portanto, a raça à qual o cão pertence pode ter, sim, influência no comportamento.
Mas há muitas exceções. Sempre que definimos o temperamento de uma raça, devemos ter em mente que é na média. Em nenhuma raça todos os indivíduos têm o mesmo temperamento. Rottweilers mansos e Goldens Retrievers agressivos não são tão raros quanto se costuma imaginar.
Educação e ambiente
Não devemos subestimar o poder do ambiente sobre o comportamento dos animais. Um cão pode aprender a controlar o temperamento agressivo ao receber educação. O exemplar de temperamento medroso pode deixar de temer gente se tiver contato com muitas pessoas de maneira correta e se as associar a coisas boas. É possível mudar com facilidade alguns comportamentos pela educação, mas outros são dificílimos de alterar. Transformar em corajoso um cão com temperamento medroso, quando possível, exige muito trabalho.
Quanto antes se percebe como é o temperamento de um cão, tanto maiores as chances de controlar sua influência sobre o comportamento dele. Essa avaliação, em conjunto com a adoção de um programa específico de adestramento, pode ajudar a evitar problemas futuros para o cão e para a família.
Função original
Parece óbvio que cães de guarda sejam mais agressivos e que cães de caça gostem de perseguir coisas, por exemplo. Mas, por mais estranho que possa parecer, não é o que demonstram os estudos recentes sobre comportamento. Ou seja, dizer que uma raça tem este ou aquele temperamento por causa do grupo em que está inserida -- guarda, caça, etc. --, já era! A explicação mais plausível é que, nas últimas décadas, a seleção artificial feita pelo ser humano modificou muitas aptidões originais de raças. Como exemplo, podemos citar Dobermanns guias de cego nos Estados Unidos, função na qual o cão não pode demonstrar nenhuma agressividade, apesar de o Dobermann ter sido desenvolvido inicialmente para atuar na guarda.

Seleção genética e propagação de problemas físicos

Revista Cães & Cia, n. 301, junho de 2004
O comportamentalista Alexandre Rossi comenta os “efeitos colaterais” causados às raças caninas pela seleção genética e propõe que se trabalhe para não propagá-los
Nenhuma espécie animal tem tantas formas, tamanhos e comportamentos como os cães. Seus portes variam desde os minúsculos Chihuahua, Pinscher, Poodle Toy e Yorkshire até os enormes Dogue Alemão, São Bernardo e Terra Nova. O temperamento pode ir do muito dócil ao bastante agressivo. Uns adoram nadar, outros preferem não se molhar. E assim por diante.
Tanta diferença resulta em grande parte dos acasalamentos selecionados – aqueles feitos a partir de critérios humanos, bem diferentes dos que acontecem na Natureza. Por esse motivo, a seleção usada para fazê-los é considerada artificial.

Seleção natural x artificial
Na natureza, comente os mais aptos se reproduzem e se multiplicam, sobrepujando, assim, os indivíduos que nascem com problemas. Por esse motivo, a maioria dos animais selvagens são bastante saudáveis fisicamente e psicologicamente. Já na seleção artificial, o critério é acasalar cães a partir de suas características morfológicas (das formas físicas), fisiológicas (das funções orgânicas) e/ou psíquicas (da atividade mental, inclusive das aptidões para aprender comportamentos e tarefas). É o que aconteceu, por exemplo, na formação das raças pequenas. A preferência foi por acasalar os cães de menor porte, independentemente da capacidade para sobreviver por conta própria, em ambiente competitivo.
Existem raças caninas criadas em laboratório?
Por causa da variedade de formas físicas e de comportamentos, houve o boato da existência de raças caninas criadas em laboratório. Nenhum cão conhecido foi desenvolvido em tubo de ensaio. Mas não é impossível que, com o avanço da engenharia genética, isso venha a ocorrer.
Formas físicas diferentes e sofrimento animal
Ao tomar para si a seleção de cruzamentos, o ser humano se torna responsável pelo vem-estar dos animais da sua criação. No anseio de produzir cães diferentes, foram desenvolvidas características extremadas, que chegam a atrapalhar os cães. Buldogues têm focinho tão achatado que ficam com a função respiratória comprometida. Shar Peis, com tanta pele “sobrando”, desenvolvem micoses e infecções nas dobras. Basset Hounds podem tropeçar em suas próprias orelhas. Com coluna alongada, os Teckels freqüentemente desenvolvem males ósseos. A hiperatividade do Border Collie o deixa compulsivo demais, entre outros exemplos.
Seleção artificial e doenças herdadas
Juntamente com os genes das características visíveis, são repassados genes “invisíveis” – aqueles que, apesar de presentes, não se manifestaram no indivíduo, mas que, provavelmente, afetarão descendentes. Alguns acarretam propensão para males como displasia coxofemoral, surdez, miopia, diversas doenças de pele e problemas psicológicos.
Cães hiperativos, medrosos e compulsivos
A seleção de comportamentos visando a aptidão para determinadas tarefas que alguns cães já nasçam com predisposição para ser guardada, outros para pastorear ou caçar, etc. O problema é que a maioria dessas raças é usada, hoje em dia, para companhia. Assim, um cão com muita energia, necessária para longas jornadas de trabalho nos campos, ficará hiperativo e compulsivo se levar vida sedentária, e estará sujeito a problemas de comportamento.
Pensar no bem-estar
Precisamos evitar a seleção proposital de características que prejudiquem os cães. Devemos, por exemplo, preferir a seleção de Buldogues que não tenham focinho tão achatado ou que não desenvolvam problemas respiratórios. Convém optar por Shar Peis não tão enrugados ou que sejam mais resistentes a problemas de pele. É recomendável preferir os Border Collies menos compulsivos e menos hiperativos.
Também não devemos reproduzir cães com problemas psicológicos ou que partem genes de doenças, mesmo que sejam campeões de beleza.

Quando o cão de trabalho não tem o que fazer

Revista Cães & Cia, n. 326, julho de 2006
Grande parte dos cães atualmente adotados para companhia são, na realidade, cães de trabalho. Rossi explica como lhes proporcionar um ambiente saudável na vida doméstica e evitar, assim, problemas de comportamento
Muitas raças caninas resultam da seleção de características morfológicas e psicológicas para o perfeito desempenho de determinados trabalhos. Conhecer essas características nos ajuda a compreender melhor o cão que temos ou que pretendemos ter e, desse modo, oferecer a ele mais bem-estar e prevenir problemas comportamentais.
Cuidado com generalizaçõesEmbora exista a tendência de cães de uma mesma raça se comportarem de maneira parecida, isso está longe de ser regra. Ao analisar um cão, portanto, é válido levar em conta as características raciais, mas sem nos ater somente a elas. Um Labrador pode ser extremamente agressivo com estranhos, apesar de pertencer a uma raça tipicamente dócil. O oposto pode ocorrer com um Rottweiler, que se espera ser defensivo na presença de desconhecidos.
Amor ao trabalho
Cães de trabalho devem amar o que fazem. Por exemplo, Labradores e Golden Retrievers precisam adorar a água para estarem dispostos a buscar nela um objeto ou um animal no momento desejado pelo condutor.
Para o cão desempenhar tarefas é importante a presença de características como excitabilidade, persistência e apego ao ser humano. Esses mesmos comportamentos, porém, quando manifestados intensivamente dentro de casa, podem enlouquecer a família que não sabe lidar com eles.
Excitabilidade
Grande parte dos trabalhos executados pelos cães passa por um momento inicial de espera, seguido por uma "explosão" de comportamentos. Exemplos: o cão de guarda que espera receber ordem para conter o bandido. O retriever que só deve buscar objeto mediante comando. O Border Collie que, depois de solto, vai pastorear ovelhas até desmaiar de cansaço. São comportamentos comparáveis a um interruptor de tipo liga e desliga, em que um determinado estímulo deixa o cão extremamente excitado, pronto para agir.
Persistência
Quanto mais o cão de trabalho for persistente, melhor. O farejador precisa procurar drogas escondidas num galpão até encontrar. O retriever não deve desistir de ir buscar o pato só porque está longe demais ou se sente um pouco cansado.
Apego ao ser humano
É de extrema valia que o cão de trabalho sinta prazer em estar perto de humanos e fique feliz em ser elogiado por um bom desempenho. Um afago passa a ser necessidade para o cão carente demais.
Perfeito para o trabalho, desesperador para o dono
Vou relatar a queixa de um proprietário que atendi recentemente. "Alexandre, nosso Golden nos deixa maluco! Fica extremamente excitado quando alguém chega. Para ter contato físico, pula na pessoa, morde os braços e as mãos dela e só sossega depois de uns cinco minutos. E, quando quer algo, não desiste por nada. Por exemplo, para poder se molhar, tenta derrubar o pote com água para beber até conseguir! Já procuramos fixar o pote de tudo que é jeito, mas o cão sempre acaba ganhando... Não sabemos mais o que fazer."
Depoimentos como esse são extremamente comuns e mostram como o cão seria ótimo no trabalho. Para ser um bom retriever é preciso excitabilidade, paixão por água, carência, gostar de ter ou de carregar um objeto na boca e persistência.
Como agir
O que fazer com um cão "programado" geneticamente para trabalhar quando não há trabalho para ele? Podemos utilizar duas estratégias. Uma é evitar, a todo custo, que o cão descubra a sua aptidão natural. Pit Bulls, por exemplo, não devem perceber como é gostoso brigar, já que, durante um período, foram selecionados para gostar de atacar outros cães. Labradores precisam ser impedidos de virar a tigela de água para não descobrirem o prazer de deitar-se sobre chão molhado...
Outra estratégia é procurar satisfazer, pelo menos parcialmente, as necessidades do cão de trabalho. Devemos lhe proporcionar o máximo de atividades, atentos às suas necessidades. Se o cão ficar muito excitado quando o dono chegar, por exemplo, pode aprender a correr em volta da mesa da sala até extravasar a ansiedade. Ou, ainda, pode ser estimulado a trazer uma bola na boca para mastigar, em vez de abocanhar roupas, braços e mãos das pessoas que recebe.
A aplicação dessas duas estratégias em conjunto é a melhor solução para compatibilizar as necessidades do cão com a vida entre paredes.

Como ensinar seu cão a expressar desejos

Revista Cães & Cia, n. 300, maio de 2004
Alexandre Rossi treinou a vira-lata Sofia a usar um painel eletrônico para expressar desejos. Ela pode pedir água, comida, brinquedo, carinho, manifestar vontade de ir para a casinha ou fazer xixi. Neste mês de maio, Rossi defende dissertação de mestrado sobre a comunicação do cão com o homem por meio de sinais arbitrários
Há milhares de anos, homem e cão vivem uma relação estreita. Os cães mais eficientes nas atividades em parceria, como caça, companhia e guarda, eram os que se comunicavam melhor e foram os selecionados para procriar. Isso pode ter aumentado a inteligência da espécie e desenvolvido a sua comunicação com os seres humanos.
Como o cão se comunica com o homem
São muitas as possibilidades de os cães se comunicarem com os humanos. Desde por sinais típicos da espécie, como latir, chorar, rosnar, mostrar os dentes e abanar a cauda, até por sinais aprendidos durante a relação com o proprietário. É o que podemos notar no seguinte depoimento, dado por um dono cão: “Se ele quiser ossinhos que ficam num armário da cozinha e eu estiver na sala, me cutuca com a pata e tenta me levar para a cozinha. Quando chego lá, ele bate com a pata no armário para deixar claro o que quer. Quando mostro que entendi, fica todo feliz e, em geral, senta para esperar que eu dê o que pediu”.
Para entender melhor como acontece a comunicação entre cão e pessoas da casa, colhemos mais de quatro mil relatos relacionados ao assunto. Embora possam não exprimir exatamente a realidade, mostram pontos importantes sobre o comportamento canino e sobre como o ser humano o interpreta.
Como evolui a comunicação
A maioria dos proprietários acaba criando sem querer, um sistema de sinais que permite ao cão expressar desejos e pedir objetos e atividades. Mas como isso ocorre? Quando um proprietário vê o cão lambendo as últimas gotas de água do bebedouro, coloca mais água no pote. Com o tempo, o cachorro percebe que pode pedir água simplesmente lambendo o porte. Não é difícil imaginar que, por meio do mesmo processo, o cão aprenda a pedir comida, brinquedo, etc.
Dicas para ensinar o cão a pedir o que deseja
Ao compreender o processo que permite ao cão se comunicar, podemos criar situações propícias para que a comunicação se desenvolva. Primeiro, procure evitar que os sinais produzidos pelo cão sejam muito parecidos, dificultando a interpretação. Para saber se ele sta com sede ou fome ao encostar o focinho no pote vazio, use potes diferentes para dar água e comida. Pelo mesmo motivo, deixe a guia para passear em local diferente do dos biscoitos, já que o cão se aproximará da guia para pedir passeio e dos petiscos quando estiver interessado neles.
Crie situações em que o cão possa “pedir” o que deseja. Por exemplo, coloque menos comida no prato dele. E quando ele estiver lambendo os farelinhos das sobras, ponha mais. Aos poucos, o cão lamberá o prato para fazer um pedido. Outro treino é perguntar ao cão que chega perto da guia se quer passear e, em seguida, levá-lo para dar uma volta. Assim, ele perceberá que pode influenciar com atitudes o comportamento do dono
.Cuidado para não ser totalmente manipulado pelo cão
Ensinar um cão a se comunicar não significa se tornar escravo dele. Ou seja, não é porque o cão pediu determinada coisa que você precisa servi-lo. Com o tempo, ele percebe o que pode pedir e quando. Minha cadela Sofia, por exemplo, sabe que existe chance de sairmos para passear quando estou me vestindo.
Sempre que começo a me calçar, Sofia corre para o painel eletrônico e aperta um dos oito compartimentos do painel (veja foto), aquele que corresponde a “PASSEAR” (nesse momento, uma gravação diz a palavra “Passear”). Mas na maioria das vezes eu não posso levá-lo comigo e tenho de dizer “Passear, não!”. Há ocasiões em que ela insiste, mas em geral desiste e vai deitar-se no sofá predileto.
A comunicação mais eficiente com nosso animal é muito gostosa. Por isso, recomendo a todos os proprietários de cães que ponham em prática um programa nesse sentido.
Resumo
- O cão tem predisposição genética para se comunicar com o ser humano.
- Você pode criar sinais para permitir ao seu cão que peça objetos e atividades a você.
- Durante o treino, quando o cão se aproximar do prato de comida, coloque mais alguns grãos de ração. Quando ele lamber as últimas gotas de água do pote, ponha mais água. Quando ele manifestar interesse em pegar a coleira, leve-o para passear.
- Se você não quiser fazer a atividade relacionada ao sinal produzido pelo cão, diga simplesmente “não”.

Labradoodles e outras novas "raças"

Labradoodles e outras novas "raças"

Revista Cães & Cia, n. 325, junho de 2006
Alexandre Rossi explica o que são essas "novas raças" e esclarece mitos e verdades relacionados a elas
Na minha última viagem aos Estados Unidos, fiquei impressionado com a quantidade de cães diferentes que passeavam com seus donos e brincavam em parques e praças. Resultantes de cruzamentos entre raças reconhecidas, eram orgulhosamente identificados como Schnoodles (Schnauzer x Poodle), Labradoodles (Labrador x Poodle) e Border Shepherds (Border Collie x Australian Shepherd).
Cruzamentos entre cães de raças diferentes sempre ocorreram, principalmente de modo acidental. Mas, recentemente, promover esses acasalamentos tornou-se atividade normal para alguns criadores, nos Estados Unidos. As misturas ganharam popularidade e muitas vezes são vendidas por preços muito mais altos do que os dos cães de raça pura. Livros sobre o assunto já foram publicados e questões a respeito dessas combinações vêm despertando bastante polêmica entre criadores e amantes dos cães.
Novas raças ou vira-latas caros?
Grande parte das raças existentes surgiram do cruzamento entre cães de raças diferentes, como resultado de um trabalho continuado, por diversas gerações, até ser "fixado" um grupo de características. Só assim se consegue preencher o requisito fundamental que caracteriza as raças: ninhadas semelhantes, umas com as outras, e parecidas com seus pais. Isso não acontece com os descendentes de cães de primeira geração. Eles estão, portanto, mais próximos de vira-latas. Mesmo que sejam caros.
Por que a popularidade nos Estados Unidos?
Apesar de outros fatores também serem importantes, acredita-se que a moda foi a causadora da explosão das "novas" raças nos Estados Unidos. Lá é bacana ter um Labradoodle, por exemplo. E alguns estudos mostram que a moda é o principal fator de aumento da popularidade de uma raça. Além disso, os criadores das misturas caninas anunciam que elas oferecem vantagens como serem hipoalérgicas, terem "vigor híbrido" e características de duas raças num único exemplar.
Cães hipoalérgicos?
Na maior parte das misturas procura-se incluir o Poodle, que ganhou a fama de causar menos alergia nas pessoas do que outras raças caninas. Parece que colabora para isso o fato de ele ter uma só camada de pêlos, já que não tem subpelo, e de não trocar os pêlos com freqüência.
Vigor "híbrido"
É comum e esperado que, em raças mais puras, a variabilidade genética entre indivíduos seja menor do que nas raças menos puras. Mas o afunilamento dos genes pode resultar na manifestação de características indesejadas, como doenças ou síndromes. Se um exemplar campeão ou com particularidades valorizadas for portador de algum gene indesejado, que muitas vezes nem se manifesta nele, poderá espalhá-lo drasticamente, já que esses exemplares costumam ser mais acasalados do que os demais. Os problemas aparecerão depois em seus filhos, netos ou bisnetos. Ainda mais quando houver acasalamento entre eles.
O contrário acontece quando há a mescla de raças diferentes, porque diminuem as chances de algumas doenças aparecerem. É o comumente chamado vigor "híbrido". A primeira geração produzida por pais diferentes possui um maior vigor híbrido, ou seja, um labradoodle filho de um Labrador e de um Poodle possuirá uma maior vigor híbrido do que um cão filho de dois labradoodles. Quanto maior a diferença genética entre as raças misturadas, maior a vantagem. Ou seja, se as raças tiverem parentesco distante, o vigor híbrido será maior do que se elas forem geneticamente muito próximas.
Vira-latas x novas raças
Muitos protetores incondicionais dos vira-latas enxergam nesses cães mestiços de luxo um inimigo em potencial. Questionam por que as pessoas atraídas pela mistura de raças não adotam logo um vira-latas. E apontam a vantagem de os vira-latas serem de graça além de poderem resistir mais a doenças, por causa do vigor híbrido e da seleção natural.
Incentivar adoções e controlar a natalidade canina são iniciativas fundamentais para a redução da quantidade de cães abandonados. Todos queremos que haja cada vez menos cães abandonados para reduzir o sofrimento e os maus-tratos. Tirá-los da rua é, portanto, uma ação maravilhosa, seja qual for a raça ou a cor do cão. Mas, na minha opinião, devemos separar os assuntos e evitar o desperdício de forças em disputas sobre qual tipo de cão as pessoas devem ter -- se de raça, de nova raça ou vira-latas.

Na piscina, sem traumas

Revista Cães & Cia, n. 299, abril 2004
Veja as dicas de Alexandre Rossi para se ter cães bem adaptados à natação, exercício dos mais recomendados
Muitos cães se divertem buscando objetos atirados na água. Nadar é uma ótima atividade. Fortalece a musculatura com a vantagem de não submeter as articulações a impactos com o solo, típicos de esportes como corrida e salto. Por isso, a natação é recomendada por veterinários para cães com má-formação nas articulações (a mais conhecida é a displasia coxo-femoral).
Disposição para nadar
Praticamente todo cão pode gostar de se exercitar na piscina. A espécie canina aceita com facilidade as atividades aquáticas. Tanto que nadar faz parte das funções principais de várias raças, como acontece com o Golden Retriever, o Labrador e o Cocker. Mas qualquer cão só vai gostar de natação se a prática for associada a algo prazeroso, desde o início - jamais a traumas.
Jogar o cão na piscina pode causar trauma e afogamento
Ser jogado numa piscina é a primeira experiência aquática pela qual passam muitos cães. Esse método raramente dá certo. Ao sentir-se repentinamente sem apoio sob os pés e com água dificultando a respiração, o cão, em geral, se desespera. Debate-se, tentando ficar à tona e sobreviver. O cansaço vem depressa e, com ele, o risco de afogamento. Resultado: o cão fica traumatizado. Nunca mais vai querer entrar numa piscina. E passará a resistir a qualquer nova tentativa de ser posto na água.
Associe algo agradável a estar na água
Pode-se começar a treinar o cão para a natação a partir de filhote, depois de ele estar completamente vacinado. É preciso que o cão manifeste vontade de entrar na água. Um bom estímulo é fazê-lo buscar um brinquedo ou petisco. Outra motivação é ele ver um cão conhecido nadando ou o dono chamá-lo de dentro da água.
À s vezes, quando está na água, o cão em vez de nadar em direção do objetivo, começa a bater as patas sem deslocar o corpo para frente – ele parece tentar sair da água, batendo as patas para cima. Nesse caso, é preciso mostrar a posição certa, antes que ele fique exausto e traumatizado. Segure-o firmemente, próximo à superfície, com o corpo para frente (veja foto) na posição horizontal e solte-o em direção à margem ou em direção ao objetivo que ele quer alcançar. Procure ir dando petiscos ao cão durante todo o processo.
Se houver dificuldades para treinar o cão na piscina, o treino inaugural pode ser feito num lago ou praia. A maioria dos cães entra com naturalidade na água rasa e vai em frente quando há algo interessante a alcançar. Nesse caso, a técnica é oferecer petiscos cada vez um pouco mais no fundo, para o cão não acabar desistindo.
É importante facilitar o sucesso da experiência inicial e reforçar o aspecto agradável. Afinal, você quer o cão motivado, sem frustrações nem medos. Por isso, depois de ele ter obtido êxito na primeira tarefa aquática, faça-o nadar mais um pouco, recompensando-o de vez em quando com um petisco. Fique pronto para acudi-lo imediatamente, caso seja necessário.
Terminada a natação, seque bem as orelhas do cão: a umidade pode causar otite (se ele entrou no mar, lave-o antes com água doce, para evitar irritações e alergias).

O cão pode se afogar numa piscina se não conseguir sair dela
As piscinas, em geral, não oferecem recursos para os cães saírem delas por conta própria. Nesse caso, o cão só deve entrar na água se houver alguém para supervisioná-lo. Poucos cães aprendem a sair pela escadinha tradicional. O melhor é que haja uma rampa submersa ou uma escada com degraus largos, que permitam o apoio adequado das patas. É preciso também familiarizar o cão com o uso do recurso disponível.

Interromper latidos incômodos
Alguns cães ficam extremamente excitados quando vêm alguém na piscina. Latem e correm sem parar, de um lado para outro. O controle desse comportamento é feito inicialmente com o cão na guia. A eficácia da repressão é bem maior quando o cão está parado. Mantenha-o próximo a você. No momento exato em que ele começar a latir, dê bronca até os latidos serem interrompidos.

Resumo
1. A natação é um ótimo exercício e uma diversão para os cães.
2. Algumas raças têm a predisposição para gostar de água aprimorada pela seleção genética.
3. Não jogue o cão na água, pois isso poderá traumatizá-lo.
4. Associe entrar na água com brinquedos e petiscos, para o cão se distrair e aprender a gostar de nadar.
5. Ensine o cão a sair da piscina para ele não correr perigo de morrer afogado.
6. Para o cão parar de latir quando houver alguém na piscina, dê bronca no exato momento em que ele emitir o primeiro latido. Inicialmente, mantenha o cão na guia.

Coleiras de Choque

Revista Cães & Cia, n. 324, maio de 2006
Poucas ferramentas de adestramento são mais polêmicas do que as coleiras de choque. Neste artigo Rossi discute seu uso.
“Utilizar coleira de choque num animal é coisa para torturador...” É isso que muita gente pensa. Já houve usuários de tais equipamentos que ficaram conhecidos no bairro por “eletrocutar” seus cães. Diante de pressões desse tipo, parte das pessoas desiste de adotar coleiras de choque para educar os cães. Outra parte as usa apesar da imagem extremamente negativa. Muitos, ainda, gostariam de saber mais a respeito. Por isso, procuro esclarecer aqui as vantagens e desvantagens da coleira de choque e quais cuidados devem ser tomados em seu uso.
Nomenclatura e tamanhos
Várias empresas se especializam em produzir coleiras de choque. Atualmente são lançados dezenas de modelos desse acessório por ano. Na tentativa de atenuar a imagem negativa da coleira, os fabricantes procuram não chamá-la de coleira de choque, como é conhecida, e sim de coleira eletrônica, coleira de eletricidade estática, coleira de estímulo elétrico, etc. Diminuir o tamanho da coleira para ela ficar menos óbvia e chamar menos a atenção de outras pessoas é mais uma estratégia que começou a ser adotada, segundo Doug Grindstaff, responsável pelo marketing da maior empresa de coleiras eletrônicas.
O choque
Existem vários tipos de choque, desde os mais fracos que somente causam uma sensação estranha, um desconforto, até os que causam dor. São punições que funcionam quando aplicadas em cães. Existem vários fatores que regulam a “intensidade” e a periculosidade do choque. A solução caseira de conectar a fiação diretamente na tomada, sem ter conhecimento sobre eletricidade, pode produzir choque capaz até de matar. Já quando o choque é gerado por eletricidade estática, costuma ter voltagem alta e pouquíssima corrente elétrica, o que evita qualquer perigo. É o que acontece com as coleiras eletrônicas. São totalmente seguras, apesar de terem voltagem alta, porque usam corrente baixíssima. Modelos modernos permitem regulagens que aumentam e diminuem a intensidade dos choques. O menor nível é difícil de ser percebido, tanto por cães quanto humanos (é, eu testei em mim!). Já o nível maior causa um mal-estar terrível, apesar de também não haver perigo físico. Experimentei-o, dei um berro, um pulo para trás e não quis repetir a experiência!
Punição poderosa
Várias características tornam a coleira de choque uma “punição ideal”. Tanto por ser regulável, permitindo ajustar o choque de acordo com a sensibilidade do animal, como por poder puni-lo sem ser visto (coleira de controle remoto) e até sem estar presente (coleira antilatido). Quando a punição é dada no exato momento em que o cão pratica a ação indesejada, ele associa mais facilmente o mau comportamento a algo desagradável.
Ter critério
Punições aplicadas sem critério, por pessoas sádicas ou sem noção de psicologia ou de comportamento animal, podem provocar danos psicológicos irreparáveis nos animais, entre eles traumas e comportamentos compulsivos. Tudo isso com um simples aperto de botão de controle remoto!
Respeitar o animal
As coleiras de choque costumam ser tão eficientes que alguns proprietários as adotam para restringir diversos comportamentos do cão, sem se preocupar com as necessidades dele. Por exemplo, o cão que, por latir, conseguia atenção ou acesso à casa pode ficar esquecido no canil depois de uma coleira de choque ser posta nele.
Também há pessoas que, pela praticidade desse tipo de coleira, passam a adotá-la para tudo que desejam coibir o animal, optando por punir em situações em que seria possível ensiná-lo com recompensas e elogios. Na minha opinião, devemos procurar educar nossos animais com o máximo de reforços positivos e recompensas. Com o uso dessa técnica, os cães sentem mais prazer em obedecer. E os donos, por sua vez, treinam a si próprios para perceber melhor quando seus cães se comportam bem. Podem, assim, recompensá-los com mais eficiência. Ótimo para quem, além de querer ter um cão melhor, deseja também se tornar uma pessoa melhor!
Saber usar
Existem diversas “ferramentas” que podem nos ajudar a educar e a ensinar nossos cães. Na maioria das vezes, não é a ferramenta que é boa ou cruel e sim o modo de usá-la. Se uma coleira, por exemplo, pode servir para impedir o cachorro de sair de perto de você durante um passeio, pode também ser usada para enforcar o cão que fez algo indesejado, levando-o até mesmo a desmaiar, prática comum entre alguns grupos de esquimós.

Como interromper o cão que faz simulações sexuais inconvenie

Revista Cães & Cia, n. 322, março de 2006
Alexandre Rossi dá dicas sobre como ensinar o cão a deixar de simular o ato sexual em situações inoportunas
Praticar movimentos pélvicos típicos do acasalamento é um comportamento natural dos cães. Tanto dos machos como das fêmeas, conforme abordado em nosso artigo anterior (Cães & Cia 321). Mas há ocasiões em que as brincadeiras sexuais caninas têm conseqüências negativas e torna-se justificável interrompê-las, apesar de a regra geral ser permitir que os cães expressem livremente a sua própria natureza.
Quando ensinar
Considera-se de bom senso intervir nos avanços do cão "tarado" quando ele causa prejuízo ao bem-estar de outro cão, de animal ou de pessoa. As situações em que isso ocorre com maior freqüência são:
O cão assedia outro até estressá-lo
Em um local com vários cães, um macho pode insistir em tentar copular. Geralmente escolherá uma fêmea ou um filhote como alvo. É comum o cão assediado não conseguir interromper as investidas com suas tentativas de escapar delas. Nem mesmo com ameaças ao macho "tarado" e, muitas vezes, nem mesmo mordendo-o. Resultado: o cão assediado fica incomodado, assustado e estressado.
O cão "sobe" nas pessoas
A tendência canina é interagir com pessoas como se fossem cães. Mas o cão percebe a diferença entre pessoas e cães. Por isso, por meio da técnica dos reforços positivos e negativos, podemos ensiná-lo a não praticar movimentos pélvicos com seres humanos. É importante que a aplicação dos reforços negativos seja feita por quem convive com o cão, jamais por visitas. Primeiro porque cabe aos donos educar seus cães. Segundo porque a visita não sabe qual é a intensidade de estímulo negativo mais adequada para aquele cão e poderá assustá-lo ao exagerar na dose, além de correr o risco de ser atacada se o cão for agressivo e dominante.
O cão quer extravasar ansiedade ou chamar a atenção
Devemos impedir que o cão descarregue a ansiedade por meio de cópula, seja com objetos, seja com outros cães. Esse tipo de situação pode ocorrer, por exemplo, quando o proprietário dá atenção a outros cães da casa, ao ser recepcionado por eles. Interromper o assédio do cão ansioso com reforços negativos proporcionará maior bem-estar aos demais cães. Convém também ajudar o cão ansioso, ensinando-lhe outro modo de extravasar a ansiedade. Por exemplo, pode-se dar a ele uma bolinha de tênis para morder.
Não impedir as manifestações dos filhotes
Ao subir em um irmão de ninhada, o filhote em fase de amamentação faz uma brincadeira esperada para o correto desenvolvimento dele. Esse comportamento não deverá, portanto, ser repreendido.
Reforços negativos
Para interromper a simulação do ato sexual, um reforço negativo ideal é borrifar água com produto amargo não tóxico (como o "bitter apple", vendido em pet shops) na boca do cão. Pode-se também borrifar água pura.
Se o cão não for agressivo com pessoas, o ideal é olhar diretamente para ele e reforçar o borrifo com um "não" enfático, em tom de bronca. No caso de o cão ser agressivo, é melhor nos limitarmos a borrifá-lo sem qualquer agressividade, sem nem mesmo dizer "não", para não motivá-lo a atacar.
Não corra atrás do cão que se afasta quando você quer borrifá-lo. A perseguição poderá ser vista como recompensa se ele se divertir fugindo. O melhor é observar em quais situações o cão tende a praticar o comportamento que queremos corrigir. Sempre que a repetição for previsível, devemos nos antecipar colocando-o na guia. Assim, se ele fizer o que não deve, não poderá fugir no momento da correção. Normalmente, após alguns reforços negativos feitos desse modo, o cão passa a não fugir mais, mesmo se estiver sem guia.
Reforços positivos
Atenção e biscoitos caninos podem ser dados como prêmio sempre que o cão deixar de copular com indivíduos ou objetos proibidos. Outro uso para os biscoitos é alterar o foco de atenção do cão. Se ele souber que ganhará um biscoito quando o dono chegar, por exemplo, vai se concentrar na embalagem de petiscos e na mão do proprietário em vez de dar preferência para montar nos outros cães.

Sucesso em abrigos para cães abandonados

Revista Cães & Cia, n. 323, abril de 2006
A problemática dos abrigos para animais abandonados é analisada por Alexandre Rossi, que acumulou conhecimentos sobre eles estudando-os e visitando-os em vários países, patrocinado pela Federação das Universidades para o Bem-Estar Animal (UFAW)
Sonho de criança
Amantes dos animais sofrem desde a infância ao vê-los abandonados. Muitos querem adotar todos os cães sem lar que existem! Mas a realização desse sonho passa por várias dificuldades. Consegue-se abrigar uma quantidade ínfima da população canina abandonada. Cães alojados juntos se envolvem em brigas que podem acabar em morte. Falta verba. Surgem problemas com vizinhos. Há dificuldade para conseguir um lar para os cães, etc. Sem ter uma idéia clara das dificuldades, dos problemas e das limitações, a realização desse sonho pode se transformar facilmente em pesadelo para todos os envolvidos.
Sofrimento com a melhor das intenções
É comum encontrarmos abrigos de cães em péssimas condições, sujos, com fezes e urina por toda parte, com excesso de cães para o espaço, com animais doentes sem tratamento e até sem ter o que comer. A princípio parece estranho, pois a idéia é salvar os animais e lhes dar vida digna. Portanto qual a explicação? Aprendi que a maioria das pessoas que investe no sonho de ter um abrigo sofre tanto em ver qualquer animal abandonado que não consegue deixar de resgatá-lo. A dor e a emoção dominam a lógica e mais um cão é levado para o abrigo. O raciocínio é que onde comem cinco, comem seis! Como o número de cães abandonados no Brasil supera a capacidade de qualquer abrigo, o "coração de mãe" (sempre cabe mais um) se torna uma armadilha. E, aos poucos, a superpopulação do abrigo passa a ser vista como normal.
Bola de neve
Para piorar, quanto mais deteriorado for o estado dos cães no abrigo, mais difícil fica encontrar quem os queira adotar. Um local fedido, com cães doentes e machucados, pode repelir os interessados. O próprio responsável pelo abrigo fica constrangido e evita visitações. Às vezes, a pessoa que quer adotar um cão fica impedida de interagir com ele, pois as chances de saírem brigas com os demais são enormes.
Proposta de alguns abrigos reconhecidos mundialmente
Em minhas visitas a abrigos de vários países, constatei nos "melhores" algumas semelhanças na maneira de agir e de pensar dos proprietários. Esses abrigos são tratados como "empresas", com diretrizes e missão bem claras. Atitudes que desviam a empresa da sua missão devem ser descartadas, pois podem prejudicar o projeto ao longo do tempo. A frieza para abrir mão de "salvar" mais um cão geralmente não combina com o temperamento dos fundadores do abrigo. Por isso, essas pessoas se associam a "administradores" que não podem perder de vista a qualidade mínima de vida desejada para os animais do abrigo. Os parâmetros de bem-estar, de população máxima, etc., devem ser fixos, caso contrário os limites se perdem aos poucos diante das novas situações. Entender a nossa fragilidade emocional e adotar atitude preventiva é fundamental para o sucesso do abrigo.
Missão dos abrigos
Normalmente é consenso que os abrigos devem ser um lar provisório para animais com chance de ser adotados. Portanto a missão desses estabelecimentos é arrumar lar para o maior número possível de cães. Claro que não adianta o cão ser adotado para logo depois ser abandonado novamente ou ter vida pior do que a que levava no abrigo. Com o objetivo primordial claro, outras decisões ficam mais fáceis do ponto de vista lógico, o que não significa que a parte emotiva da sociedade não sofra cada vez que for impedida de trazer mais um cão para o abrigo...
Experiências bem-sucedidas
Para conseguir maior número de adoções definitivas, os abrigos têm avaliado o temperamento e o comportamento dos cães e dos futuros proprietários, além de instruir estes últimos sobre cuidados básicos e problemas comuns. Pessoas que não têm firmeza, por exemplo, são aconselhadas a adotar cães com quase nenhuma tendência à agressividade. Em alguns lugares, como no abrigo Battersea, na Inglaterra, adotar um cão é semelhante a passar por uma entrevista de trabalho.
As visitações aumentam quando o ambiente é limpo e agradável. Alguns abrigos têm até quadros nas paredes, como o Woodgreen Shelter, também na Inglaterra. Concluíram que quanto mais gostoso o ambiente, maiores as chances de os cães serem adotados. Levar as crianças ao abrigo é semelhante a levá-las ao zoológico -- podem ler histórias dos cãezinhos, brincar com eles e até levá-los para passear. Obviamente, após essa interação mais intensa, muitas adoções ocorrem.

Disputas pelo amor do cão

Revista Cães & Cia, n. 298, março 2004
Neste artigo, Alexandre Rossi explica alguns motivos que levam o cão a gostar mais de uma pessoa que de outra e dá várias dicas de como fazê-lo adorar você
É de mim que ele mais gosta! Querer ser especial e amado faz parte da natureza humana.  Você já desejou que o seu cão gostasse mais de você do que de alguma outra pessoa?  Se sim, não se acanhe. Disputas pelo amor do bicho de estimação  são comuns, principalmente no caso de cães, por suas demonstrações explícitas de carinho e apego. O ser humano também tem as necessidades dele, e uma é se sentir especial e querido.

Dar comida ao cão sob a mesa; permitir que ele suba na cama enquanto quem não gosta disso está ausente; evitar dar broncas no cão para não magoá-lo – essas são algumas das formas que assumem as disputas não declaradas na guerra pelo amor do animal. Neste artigo, você entenderá os motivos que levam o cão a gostar mais ou gostar menos de uma pessoa e saberá como ganhar o amor dele, sem prejudicá-lo.
Seja amado sem ser egoísta
O animal de estimação depende enormemente de nós. Por isso, temos a responsabilidade de proporcionar a ele uma vida agradável e um tratamento adequado às suas necessidades. Deixar o cão preso num canil durante o dia , em vez de solto com a empregada, para não se apegar a ela, é um gesto de egoísmo praticado por algumas pessoas. Cuidado para não prejudicar seu bicho por ciúmes. Não faça nada que reduza o bem-estar do cão para ele gostar mais de você. Não é justo nos preocuparmos somente conosco!
Predisposição ao apego
Por que os cães se apegam? Essa predisposição é herdada. Para os ancestrais dos cães – os lobos – pertencer a um grupo é essencial para caçar e sobreviver. Apegar-se é a estratégia que mantém juntos os membros de uma alcatéia.

O apego mais vantajoso é aquele que liga o lobo ao exemplar mais dominante do grupo. Afinal, é o líder quem dita as regras, defende os “protegidos” e até permite que se alimentem junto com ele. Não é à toa que os lobos fazem festa para o exemplar dominante, lambendo-o e querendo estar junto dele, mesmo quando tais comportamentos parecem ser ignorados ou desprezados. Exigir que os cães tenham determinados comportamentos e se sujeitem a limites não vai diminuir a predisposição natural deles de gostar de quem lhes dá ordens. Pelo contrário, se o humano tiver características de líder, a atração dos cães por ele pode ser maior. Portanto, a maneira como agirmos com relação aos demais membros da casa e o modo como damos ordens ao cão podem influir no quanto ele gosta de nós.
Cuidado com contra-ordens
Se alguém ordenar ao cão para descer do sofá e se outra pessoa, ao contrário, disser para continuar onde está, ele tenderá a permanecer no sofá e perceberá aquilo como um conflito hierárquico. Se as contra-ordens forem freqüentes, o cão poderá agredir a pessoa cujas atitudes o contrariem, tomando partido de quem defende os interesses dele. É fundamental que o cão tenha a situação hierárquica bem definida, para que se sinta tranqüilo.
Como aumentar o apego do seu bicho por você
O cão relaciona pessoas a acontecimentos causados por elas. O seu cão pode ter você em ótimo conceito se o associar a petiscos deliciosos, a brinquedos novos, a passeios ou a carinhos. Uma única dessas associações já pode fazer efeito estrondoso. Basta ver como há cães que adoram quando o passeador chega para irem passear, mesmo que o profissional não interaja com eles, não brinque e nem demonstre afetividade.
Construa com amor
Para tornar a vida do seu cão mais agradável e deixá-lo psicologicamente mais saudável, faça-o sentir que o líder é você. Essa situação vem da imposição de limites e da exigência de comportamentos específicos. O adestramento por meio de reforços positivos e os esportes, como o agility, são excelentes meios de atingir esse fim. E, se você participar pessoalmente dos treinos, terá a vantagem de a sua presença ser associada pelo cão ao acontecimento agradável de ganhar uma recompensa a cada comportamento correto.
Resumo- Não prejudique o bem-estar do cão só para ele se apegar mais a você
- Alguns cães se apegam mais facilmente a pessoas que demonstram liderança em suas atitudes
- Evite que pessoas desautorizem você; o grupo deve ser unido
- Petiscos, carinhos e passeios podem aumentar o apego do seu cão por você
- Adestramento por reforços positivos e esportes são maneiras ótimas e saudáveis para ganhar o carinho do cão

Como apresentar um cão a outro, para evitar que briguem

Revista Cães & Cia, n. 297, fevereiro 2004
Uma única briga entre o cão que vive em casa e outro recém-adquirido pode torná-los inimigos para sempre. O risco também existe se recolocarmos um cão com outro depois de terem sido separados mesmo que por poucas horas. Daremos dicas de como fazer a apresentação de dois cães para evitar futuras agressões entre eles
Ao se introduzir um cão em local onde vive outro, convém adotar os procedimentos sugeridos a seguir inclusive quando o exemplar novato for um filhote.
Escolher local apropriado
Os cães tendem a ficar mais agressivos no espaço em que vivem. Por isso, providencie para que as apresentações sejam feitas em local neutro, não familiar a eles. Pode ser na rua, por exemplo. Cada cão fica numa calçada, controlado na guia por um condutor, numa distância suficiente para não provocar o outro. Assim, mesmo que haja hostilidade, será pouco intensa e fácil de interromper, bastando apenas uma bronca e um puxão de guia.
Ser extremamente exigente
A apresentação deve ser feita tratando os cães com firmeza. Cada um pode dar olhadas rápidas para o outro, mas sem jamais encará-lo fixamente e sem puxar o condutor. Se o cão fizer o que não deve, dá-se um puxão rápido na guia para causar um pequeno susto, uma sensação desagradável, e se diz “não”. Se ele insistir em encarar, procura-se distraí-lo com brinquedos.
Reduzir gradativamente a distância
A segunda fase começa quando cada cão permanece absolutamente calmo ao ver o outro distante. A partir dos locais onde estão posicionados, começa o novo procedimento. Trata-se de uma caminhada lado a lado, numa única direção, para evitar que os cães se encarem. Eles tendem a ficar entretidos com o que vêem pela frente. Andando sempre lado a lado, os condutores reduzem aos poucos a distância. Se surgir sinal de hostilidade, a caminhada é interrompida e o treino recomeça desde a primeira fase. O procedimento termina quando a aproximação dos cães durante a caminhada for tal que eles ficam encostados um no outro e se mantêm pacíficos.
Estar preparado para separar eventual briga
É pequeno o risco de perder o controle da situação e de os cães partirem para o confronto. Mas vale a pena ser prudente e estar preparado para interromper uma eventual briga. Recorra à ajuda de um extintor de incêndio de gás carbônico (CO2), que além de não ser tóxico produz um jato de gás, geralmente mais assustador para os cães do que jogar água (não use extintor de outro tipo, para evitar intoxicações).
Antes de soltar os cães no território definitivo
Quando a aceitação de cada cão com relação ao outro for completa, vem a etapa final: colocá-los juntos. Antes, porém, convém submetê-los a uma longa caminhada até ficarem cansados. Em seguida, os dois são postos soltos no local onde ficarão. A área terá sido previamente preparada com a retirada da comida e dos objetos que possam causar disputa.
Se não tiver experiência com cães, procure ajuda de quem tenha
Os procedimentos aqui indicados são bastante seguros para pessoas experientes na lida com cães. Mas, se a sua experiência e a do outro condutor for pouca, vocês e os cães poderão se machucar. Nesse caso, convém procurar o auxilio de um especialista.
Orientações gerais
Controle absoluto: para desestimular provocações, é muito importante que os cães percebam nosso controle absoluto sobre eles. Por isso, durante a apresentação, cada qual deverá estar sendo conduzido na guia (você precisará de um ajudante).
Recompensas a comportamentos corretos: durante as várias etapas da apresentação, o condutor dará petiscos ao cão sempre que ele agir corretamente. Além de estimular a repetição do comportamento desejado, as recompensas ajudam a mostrar que o condutor está no comando, passando confiança ao cão.
Os cães só ficam juntos após a apresentação ter sido concluída: enquanto não terminarem os exercícios de aproximação, os cães não devem ser postos juntos ou de maneira que possam se ver. Provocações podem anular o treinamento feito até então e tornar os cães ainda mais agressivos.
Sexos opostos: dê preferência a adquirir cães de sexo oposto. Fêmeas tendem a brigar mais com fêmeas. E machos, mais com machos.
Sem afobação: o procedimento de apresentação não precisa ser colocado em prática todos os dias.
Se houver mais de um cão ao qual apresentar o novato: efetue o procedimento apresentando o cão novato a cada um dos veteranos, até que todos os cães aceitem o novato.
Resumo• Cães devem ser apresentados fora de seus territórios.
• Mostre dominância e seja exigente com o comportamento dos cães
• Aproxime os cães gradativamente, sempre mantendo-os na guia.
• Após o procedimento não os coloque em locais que possam se provocar.
• Só solte os cães para ficarem juntos quando sentir total confiança e controle sobre eles.
• Conte com a ajuda de um especialista em comportamento se você não tiver uma boa experiência com cães.